A crise da Ponte Preta deixou de ser apenas financeira e chegou ao campo. Também rompeu fronteiras de Campinas e ganhou o Brasil. Os jogadores entraram em greve nesta quarta-feira e suspenderam os treinamentos. Eles ameaçam não entrar em campo no domingo, contra o América-MG, pela Série B. O motivo é o atraso de salários e dos direitos de imagem que, segundo os líderes do próprio elenco, chega a seis meses em alguns casos. O futebol brasileiro normalizou os atrasos de salários, um aviso de que a CBF deve acelerar o seu programa de fair play financeiro. Muitos clubes vão quebrar e o desemprego no futebol vai aumentar.
Os atletas da Ponte haviam dado um ultimato à diretoria para que os pagamentos fossem regularizados até terça-feira desta semana. Como nada aconteceu e nenhum real foi depositado na conta dos jogadores, conferidos um a um, o grupo cumpriu a promessa e cruzou os braços. Os jogadores foram ao CT do Jardim Eulina nesta quarta, mas deixaram o local sem treinar. A paralisação vale não apenas para os trabalhos durante a semana, mas também para os compromissos oficiais do time, o que coloca em dúvida a presença da Ponte contra o América, em Belo Horizonte.
Foi assim em 2025
A Ponte passou pela mesma situação no ano passado, com paralisação e pagamento sendo feito na véspera de Natal. São Caetano e Santa Cruz também já fizeram o mesmo.

Se o time não entrar em campo, o rival ganha por W.O e uma vitória simbólica por 3 a 0. O regulamento da competição, segue as normas da CBF e sustenta multas e perda de pontos. A lei não dá margens para interpretações, mesmo neste caso. Em comunicado assinado por todo o elenco, os jogadores foram duros com a direção. O grupo afirmou que existe um “sentimento de abandono” e reclama da falta de informações e garantias sobre quando os salários serão pagos. Os atletas também buscaram respaldo jurídico antes de tomar a decisão e citam a Lei Geral do Esporte, que permite a paralisação quando os salários estão atrasados por dois meses ou mais. É o caso.
Macaca é lanterna da B
A greve acontece em um momento especialmente delicado para o clube. A Ponte Preta está na lanterna da Série B, com dez pontos em 24 partidas, e não vence há 18 rodadas. O cenário esportivo já era dramático e ficou ainda pior depois da derrota por 6 a 0 para o Vila Nova e do revés por 2 a 0 diante do Avaí.
Fora de campo, a Ponte também enfrenta problemas que ajudam a explicar a dimensão da crise. O clube sofreu um transfer bans imposto pela Fifa, o que dificulta o registro de novos jogadores, enquanto atletas recém-contratados chegaram a deixar Campinas sem sequer conseguir estrear. O elenco também perdeu jogadores experientes e passou a depender cada vez mais de jovens das categorias de base. O presidente da Ponte é o ex-juiz de direito Luiz Antônio Alves Torrano, o Dr. Torrano.
Vai virar SAF? Quem quer?
A discussão sobre a SAF está no centro dos problemas. Os jogadores já haviam se manifestado defendendo uma solução que pudesse trazer investimentos e permitir que a Ponte voltasse a honrar os seus compromissos. A assembleia que discutiria a constituição da SAF, porém, terminou sem votação, aumentando a sensação de incerteza dentro do clube e de total desmando. Agora, a Ponte corre contra o tempo para evitar que a crise financeira se transforme em um problema institucional. Se a greve continuar, existe a possibilidade de a Macaca não disputar o jogo de domingo, cenário que pode trazer consequências esportivas e administrativas graves.
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A história da Ponte Preta é grande demais para ser resumida à crise de 2026. Mas o momento é um alerta sobre o custo de administrar um clube sem dinheiro, planejamento e respostas para quem está dentro do campo. Os jogadores chegaram ao limite, o time está afundado na Série B e a SAF continua sem definição. Nunca a expressão “tentar sobreviver” foi tão real no futebol.
NOTA DOS JOGADORES
Nós, atletas da AA Ponte Preta, comunicamos à diretoria e à imprensa que:
Como é de conhecimento público e geral, da imprensa e dos torcedores, a maioria de nós atletas não recebeu os últimos meses de exercícios e direito de imagem, que em alguns casos chegam a 6 meses sem o devido pagamento. Há ainda uma nuvem de incertezas que pairam sobre nós, é que a diretoria atual abandonou o dia a dia do clube e, além dos atrasos salariais, estamos sem qualquer satisfação ou garantia.
Nosso sentimento é de abandono!
O § 5º do artigo 90 da Lei Geral do Esporte permite ao atleta profissional paralisar as atividades profissionais, inclusive recursar-se a competir, quando os intervalos ocorrem em atraso por 2(dois) ou mais meses:
Art. 90. – … § 5º – O lícito ao atleta profissional recorre à competição por organização esportiva quando suas sessões de treino, no todo ou em parte, estiverem atrasadas em 2 (dois) ou mais meses.
Esperamos semanas e meses até tomarmos essa atitude drástica, respeitando a torcida e principalmente a instituição AA Ponte Preta.
Porém, ante o descaso da diretoria atual, considerado como desrespeito a nós atletas, não apenas pelos atrasos em atraso, mas também pelo abandono da gestão atual, comunicamos que a partir desta quarta-feira, 26/08/206, após encerramento do prazo que estipulamos para a diretoria, suspenderemos as nossas atividades, até a regularização dos nossos pagamentos.
Atenciosamente,
Elenco Profissional de Atletas da AA Ponte Preta





