O futebol brasileiro sempre gostou de exagerar. Não basta ser bom, precisa ser boníssimo. Não basta ganhar títulos, é preciso ser campeoníssimo. Foi assim desde o cruelíssimo Maracanã em 1950 até o felicíssimo penta mundial em 2002, na Coreia do Sul e Japão. Afinal, somos o país do futebol, que vai do digníssimo Rei Pelé ao incomparabilíssimo Garrincha.
A gente já viu os gols mais lindos do mundo. Lindíssimos! Já sofremos com faltas violentíssimas em cima de Romário, Ronaldinho Gaúcho e o outro Ronaldo, o Fenômeno – por si só um craque superlativo. E quem não vibrou com o pênalti choradíssimo do Roberto Baggio chutado para fora. “Vai que é tua, Taffarel!, disse o locutor. Como nem tudo é um mar de rosas, também já choramos com o 7 a 1 mais vergonhoso da história. Vergonhosíssimo!

O Brasil é assim: sempre no superlativo. O torcedor é exigentíssimo, o juiz é criticadíssimo, o craque é endeusadíssimo, o perna-de-pau é xingadíssimo. Tudo é muito. Tudo é demais.
Adeus, ilustríssimo
E hoje, entre todos esses exageros, entre todos esses adjetivos se grandiosidade, somos obrigados a usar um que não gostaríamos jamais: que dia tristíssimo é esse sábado, 30 de agosto. Afinal, hoje o futebol, a literatura e o humor acordaram órfãos.
Se hoje reservamos o dia para os superlativos é porque hoje é dia de nos despedirmos de um certo Luis Fernando, ilustríssimo cronista e apaixonadíssimo torcedor do Internacional de Porto Alegre. Hoje, infelizmente, é dia de dizer adeus a Luis Fernando Verissimo, um brasileiro que já nasceu batizado por um sobrenome superlativo. The Football está de luto. Ou melhor, enlutadíssimo.




