A Copa do Mundo de 2026 mal terminou e a reconstrução para 2030 já começou na Europa. A Alemanha virou a página com Jürgen Klopp. A Bélgica entregou seu novo ciclo a Mark Van Bommel. A Itália, gigante ferida e fora das três últimas Copas, demorou mais, ouviu recusas, como de Pep Guardiola, bateu na porta de nomes consagrados e agora se aproxima de Andrea Pirlo para tentar sair do lugar.
A diferença de ritmo incomoda. A Alemanha, eliminada cedo nos Estados Unidos, foi buscar Klopp para recuperar alma, intensidade e identidade. A Bélgica escolheu Van Bommel para comandar uma nova fase depois do fim de um ciclo. As duas seleções já sabem quem vai começar o trabalho. A Itália, por sua vez, passou semanas procurando um técnico capaz de reconstruir a Azzurra depois de mais um vexame mundialista.

A seleção italiana está sem comando desde a saída de Gennaro Gattuso, em abril, após o fracasso nas Eliminatórias para a Copa de 2026. Ficou fora do Mundial e viu, de longe, Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Argentina e outras potências disputarem protagonismo. Para um país tetracampeão do mundo, assistir a mais uma Copa pela televisão não é apenas um fracasso esportivo. É uma humilhação nacional.
Guardiola não quis agora
A Federação Italiana tentou nomes grandes. Carlo Ancelotti, hoje na seleção brasileira, foi consultado e recusou. Pep Guardiola também ouviu a proposta, agradeceu, disse estar honrado, mas não aceitou. O sonho da federação era entregar a reconstrução a um treinador de peso mundial. Não conseguiu. A solução, então, voltou para dentro da própria história. Andrea Pirlo aceitou a proposta verbal de Paolo Maldini, diretor de seleções. Campeão mundial em 2006, maestro do meio-campo e um dos jogadores mais elegantes de sua geração, Pirlo representa memória, camisa e identidade. Mas também representa uma aposta. Como técnico, ainda não construiu uma carreira do tamanho de sua biografia como jogador. Nem do tamanho da Itália em Copas, tetracampeã mundial.

É justamente aí que mora o risco. A Itália precisa de muito mais do que um nome bonito. Precisa de projeto, método, base, paciência e coragem para mudar. Maldini e Leonardo, chamados para comandar a remontagem da seleção, sabem disso. A Azzurra não caiu por acaso. O problema é profundo. Passa por formação, calendário, escolhas ruins, conservadorismo e pela dificuldade italiana em produzir uma nova geração capaz de sustentar o peso da camisa.
Klopp vai tocar a Alemanha
Enquanto isso, Klopp chegou à Alemanha prometendo recuperar o jeito alemão de jogar. Disse que não quer imitar Argentina, Espanha, Inglaterra ou França. Quer intensidade, técnica, velocidade, pressão e precisão. A frase é simples, mas poderosa: a Alemanha sabe o que quer voltar a ser. A Itália ainda tenta descobrir.
Na Bélgica, Van Bommel também inicia uma fase de reconstrução. Não chega com o peso de Klopp, mas chega com contrato, autoridade e tempo para trabalhar. A seleção belga sabe que a geração dourada ficou para trás. Precisa fabricar outra. A Itália vive drama parecido, mas com um agravante: não foi à Copa. O atraso é esportivo, emocional e institucional. Pirlo terá uma missão ingrata: resgatar a Azzurra sem o conforto do passado. Não basta lembrar 2006, a final contra a França, a elegância de sua cobrança de pênalti ou a camisa azul em Berlim. A Itália precisa olhar para frente. O Mundial de 2030 já começou para quem entendeu o tamanho do buraco.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
A escolha de Pirlo também mostra o peso de Maldini e Leonardo no novo projeto. Os dois tentaram Guardiola, sondaram Ancelotti e agora parecem dispostos a bancar uma aposta italiana, de vestiário italiano, com passado italiano. É uma decisão simbólica. Depois de ouvir “não” de treinadores consagrados, a Azzurra volta a alguém que conhece a camisa por dentro. A Itália não tem mais o direito de errar. Alemanha e Bélgica já começaram suas reconstruções. A Espanha acaba de ser campeã do mundo. A França segue forte. A Inglaterra continua competitiva. Portugal ainda tem base. O futebol europeu não esperará a Azzurra se organizar.
Pirlo pode ser a solução?
Pirlo pode ser o começo de uma reconstrução bonita. Ou apenas mais um capítulo da confusão italiana. A diferença entre uma coisa e outra estará no projeto que a Federação vai colocar em torno dele. Porque técnico nenhum, nem mesmo um campeão do mundo com a classe de Andrea Pirlo, reconstrói sozinho uma seleção que perdeu o costume de jogar a Copa.





