Nos últimos anos, Flamengo e Palmeiras transformaram-se nos dois polos de força do futebol brasileiro. Dentro de campo, a rivalidade se alimenta de conquistas recentes: elencos mais fortes, títulos em sequência, favoritismo natural em qualquer competição nacional ou continental. É bem provável que, mais uma vez, os dois se cruzem em uma final de Libertadores, ao mesmo tempo em que duelam cabeça a cabeça pelo Brasileirão. Nada de anormal nesse aspecto — trata-se do reflexo direto de organização, gestão e investimento.

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O que chama atenção é como essa rivalidade começa a ganhar novos contornos fora das quatro linhas. Uma guerra fria de bastidores, feita de declarações atravessadas, acusações veladas e disputas de poder que não param de se acumular. O capítulo mais recente veio nesta sexta-feira, quando a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, lançou uma frase que já entra para os anais do folclore futebolístico. “O Flamengo vive no mundo dos terraflamistas. Se (eles) se acham tão superiores, que disputem um campeonato sozinhos.”

Leila Pereira: ‘o Flamengo vive no mundo dos terraflamistas. Que disputem um campeonato sozinhos’ / Palmeiras

A provocação, claro, tem origem na decisão do presidente do Flamengo de embargar as cotas de televisão da Libra. A diretoria rubro-negra judicializou a questão por considerar que sua fatia não corresponde ao tamanho da torcida e ao peso da marca. Com isso, travou o repasse aos demais clubes até que a disputa seja julgada.

Batalha pelo poder no futebol

Esse episódio revela que o que está em jogo vai muito além de dinheiro ou vitórias. Trata-se de uma batalha pelo poder hegemônico no futebol nacional, com todos os ingredientes típicos de vaidade e ambição que marcam dirigentes de lado a lado. No futebol, poder significa mais visibilidade, mais patrocínios, mais investimentos e mais influência política. No fundo, é sempre sobre dinheiro — mas temperado por ego e protagonismo.

Luiz Fernando Baptista, o Bap: liminar para frear a divisão dos recursos dos clubes da Libra / Flamengo

Neste cenário, é impossível não reconhecer a coragem de Leila. Em um ambiente ainda dominado por homens que se comportam como senhores feudais do futebol, ela não se curva, não teme o embate e costuma impor suas ideias com firmeza. Gosta de um holofote, é verdade, mas dificilmente fala sem conteúdo. Neste caso, tem toda a razão: não faz sentido algum o Flamengo recorrer a expedientes jurídicos para questionar um contrato já assinado.

Flamengo e Palmeiras

A postura rubro-negra mina qualquer esforço de unidade entre os clubes e enfraquece a construção de um projeto coletivo que possa de fato modernizar o futebol brasileiro. Flamengo e Palmeiras, que já dividem a hegemonia dentro de campo, parecem dispostos a levar essa disputa para todas as frentes. A questão é saber se essa guerra vai fortalecer ou rachar ainda mais o já combalido sistema que sustenta o nosso futebol.

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