Passada a rodada dos jogos de ida das quartas de final, com três vitórias e um empate para os quatro brasileiros, aumentou consideravelmente a possibilidade de uma situação inédita na história da Libertadores: os quatro semifinalistas serem do mesmo país. Fluminense e Flamengo abriram vantagem de 2 a 0 sobre Platense e Independiente del Valle, respectivamente. O Palmeiras venceu a LDU por 1 a 0, enquanto o Corinthians empatou por 1 a 1 com o Estudiantes.

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Bastou essa possibilidade ganhar contornos mais concretos para as rodas de discussão do futebol recuperarem uma velha teoria da conspiração: a de que a Conmebol não estaria interessada em ver uma semifinal brasileira. E, a partir daí, renasce a suspeita de que as arbitragens poderiam cumprir o papel de fazer o “jogo sujo” de manipular o andamento das partidas de volta, impedindo que Corinthians, Palmeiras, Flamengo e Fluminense ocupassem, juntos, as quatro vagas.

Flamengo faz a sua parte na partida de ida das quartas de final e decide a vaga no Maracanã / Flamengo

É preciso separar, porém, desconfiança de fato. Não há nenhuma evidência de que a Conmebol tenha qualquer plano para impedir a classificação dos times brasileiros. Muito menos existe algo que permita afirmar que os árbitros escalados para os jogos de volta na semana que vem receberão alguma orientação para produzir resultados convenientes aos interesses da entidade. O próprio regulamento não estabelece qualquer restrição à presença de clubes do mesmo país nas semifinais. Ao contrário: o manual da Libertadores prevê a possibilidade de confrontos entre equipes de uma mesma nação nessa fase.

Quatro brasileiros

Portanto, se os quatro brasileiros fizerem a sua parte dentro de campo, a Libertadores terá, pela primeira vez, duas semifinais exclusivamente brasileiras. E não será preciso nenhuma mudança de regulamento, nenhuma exceção ou qualquer movimento de bastidor para que isso aconteça. O próprio chaveamento já determinou esse caminho.

Isso não significa, entretanto, que a desconfiança do torcedor brasileiro tenha surgido do nada. A arbitragem sul-americana há muito oferece motivos para discussão. Critérios diferentes, tolerância excessiva à cera, interrupções constantes, interpretações distintas para lances semelhantes e decisões que parecem inexplicáveis ajudam a criar um ambiente no qual qualquer erro passa a ser recebido com desconfiança. No calor de uma partida eliminatória, uma marcação equivocada pode deixar de ser vista como simples erro humano e ganhar a dimensão de uma prova de conspiração.

Arbitragem da Conmebol

Mas uma coisa não leva necessariamente à outra. É possível reconhecer que o nível da arbitragem continental deixa a desejar sem concluir que existe uma ordem superior para prejudicar clubes brasileiros. Uma arbitragem ruim é uma coisa. Uma arbitragem orientada para produzir determinado resultado é outra, muito mais grave, e que exigiria evidências que até agora não apareceram. Ainda que no passado o próprio árbitro Javier Castrilli confessou que “operou” o Corinthians num duelo com o Boca Juniors.

Há ainda um detalhe que costuma desaparecer quando a discussão é feita apenas sob a perspectiva brasileira. A mesma suspeita existe do outro lado. Em outros países sul-americanos há quem enxergue com desconfiança o peso econômico dos clubes brasileiros dentro da Libertadores. O Brasil possui os mercados mais fortes, os maiores contratos de televisão e patrocínio e alguns dos clubes com maior capacidade de investimento do continente. Não é difícil encontrar, portanto, torcedores estrangeiros convencidos de que a própria Conmebol teria interesse na permanência dos brasileiros até as fases decisivas porque isso pode significar mais dinheiro para o caixa da entidade.

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É a mesma teoria da conspiração, apenas contada a partir de outro olhar, com outro sotaque. Na falta de provas que validem as duas correntes, o que existe de concreto é um cenário esportivo favorável aos clubes brasileiros. O Fluminense e o Flamengo construíram uma vantagem importante nos jogos de ida. O Palmeiras tem a vantagem mínima, mas joga pelo empate no Equador. E o Corinthians, depois de buscar o 1 a 1 na Argentina, precisa de uma vitória simples contra o Estudiantes na Neo Química Arena para avançar. O resto continuará pertencendo ao território das suspeitas. Por enquanto…

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