Mais um para o DVD! A histórica rivalidade entre Corinthians e Internacional, que desde aquele pênalti de Fábio Costa em Tinga — não marcado em 2005 — cresceu a níveis exponenciais, ganhou mais um capítulo irretocável nesta quarta-feira. E, como tantas vezes, a arbitragem foi a protagonista.

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“O juiz estragou o jogo”, resumiu o zagueiro Gustavo Henrique, com a revolta estampada na voz. “O Corinthians não vai aceitar ser prejudicado de novo. Pelo segundo jogo seguido, a gente foi prejudicado”, protestou o diretor de futebol Fabinho Soldado. O alvo das críticas foi o pênalti assinalado aos 50 minutos do segundo tempo, quando o VAR chamou Rodrigo de Lima para rever um lance entre Cacá e Bruno Henrique dentro da área. O toque, interpretado como falta, garantiu ao Inter um empate que parecia improvável e arrancou do Corinthians dois pontos que já estavam no bolso.

Capitão no Beira-Rio, Gustavo Henrique vê o Corinthians somar três jogos sem vencer no Brasileirão / Corinthians

A cena do árbitro saindo de campo sob escolta da polícia militar, encarando a fúria de Dorival Júnior no túnel de acesso ao vestiário, só reforça a sensação de que o jogo foi definido pelo apito. E não foi apenas o pênalti: antes dele, dois gols tinham sido anulados pelo VAR — um para cada lado — naqueles impedimentos microscópicos que parecem existir apenas na tela congelada da cabine.

Inter tem chances claras

Mas seria simplista demais colocar toda a história da partida apenas nas costas da confusa arbitragem. O jogo contou, sim, com ingredientes que explicam por que Corinthians e Internacional agonizam no meio da tabela.

Nos dez primeiros minutos, o Inter já havia criado quatro chances claras, enquanto o Corinthians não conseguia sequer passar do meio de campo, recorrendo a sucessivos recuos para Hugo Souza. Era o retrato de um time sem saída de bola minimamente aceitável. Ainda assim, em contra-ataque típico, veio o gol corintiano: Raniele recebeu passe de Angileri no meio, a jogada passou por Hugo, que inverteu para Matheuzinho. O lateral cruzou na medida para Gui Negão mergulhar e marcar — um gol que contrariava estatísticas e lógica, mas alimentava a velha máxima de que futebol não é ciência exata.

Impedimento do VAR

Em um lance parecido o Timão chegou ao segundo gol, com o lateral Hugo, mas o VAR anulou o lance por impedimento. O Inter respondeu, chegou a empatar numa cobrança de falta ensaiada com Alan Patrick e Romero — o outro, o colorado —, mas de novo o VAR interveio e anulou o lance por impedimento de Luís Otávio na frente de Hugo Souza. O primeiro tempo terminou com mais reclamações do que futebol.

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Na segunda etapa, entretanto, o desenho do jogo não mudou muito. O Corinthians, fiel à estratégia de se defender com passes laterais e intermináveis recuos ao goleiro, gastou tempo e esperou uma nova brecha. O Inter, por sua vez, foi vítima da própria falta de inspiração. Os dois treinadores trocaram peças, mas como vem acontecendo com Corinthians e Inter, normalmente os reservas entram e os times pioram. A sucessão de erros técnicos travou qualquer chance de espetáculo.

Autor do gol aos 50 minutos, Carbonero já soma sete tentos com a camisa do Inter na temporada / Internacional

A vitória encaminhada parecia um prêmio para a estratégia pragmática do Corinthians, que lidava com vários desfalques e levava para São Paulo um ponto de ouro. Até que veio o último ato: o VAR, o pênalti, a revolta. E mais uma cicatriz na relação entre corintianos e colorados, sempre marcada por lembranças de arbitragem. No fim, o placar de 1 a 1 não explica sozinho o que foi o jogo. Explica, sim, por que Corinthians e Inter estão parados no meio da tabela: falta qualidade, sobra irritação. E o DVD, esse, segue com espaço reservado para mais capítulos.

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