Leonardo de Sá
Poucos dias após assumir definitivamente a presidência do São Paulo, Harry Massis escancarou o diagnóstico do clube em entrevista ao BandSports. Ao afirmar que sua prioridade é “tirar o São Paulo da UTI”, o dirigente não recorreu a metáforas vazias: traduziu em palavras o momento crítico vivido pela instituição, que foi marcada no passado recente por crise política, corrupção, colapso financeiro e desgaste interno acumulado ao longo dos últimos anos.
Massis passou a ocupar oficialmente o cargo no dia 21 de janeiro, após a renúncia de Julio Casares, encerrando um processo iniciado dias antes, quando o Conselho Deliberativo decidiu pela destituição do então presidente. Desde o dia 16, ele já atuava como mandatário interino, mas a saída formal de Casares antecipou o desfecho político e garantiu a Massis o comando do clube até o fim do mandato, previsto para dezembro de 2026.

Cenário de caos
Vice-presidente da gestão anterior, o novo presidente herdou um cenário descrito por ele próprio como caótico. Dívidas elevadas, ambiente administrativo tensionado e pendências com o elenco formam o pano de fundo de uma gestão que nasce sem margem para promessas grandiosas. Na entrevista, Massis deixou claro que não há soluções rápidas e que a reconstrução será gradual, baseada em controle financeiro e reorganização interna.
Ao tratar do futebol, o dirigente revelou que já iniciou conversas diretas com jogadores do elenco profissional, buscando restabelecer confiança e alinhar expectativas. A proposta, segundo ele, é enfrentar pendências do passado sem criar ilusões sobre o presente. “Nós temos uma longa escada para subir”, disse, ao reconhecer que qualquer avanço, ainda que pequeno, já representará progresso diante do ponto em que o São Paulo se encontra.

Caminho para 2027 segue em aberto
Outro ponto central do discurso foi o afastamento de qualquer ambição política futura. Massis afirmou que não será candidato nas eleições deste ano e que não pretende transformar sua passagem pela presidência em plataforma eleitoral. A fala, além de reduzir ruídos internos, abre espaço para que o próximo processo sucessório ocorra sem a antecipação de disputas, algo raro no histórico recente do clube.
Enquanto a reorganização administrativa ainda engatinha, o campo começou a oferecer respostas pontuais. O São Paulo venceu seus dois últimos compromissos — um deles pela estreia do Campeonato Brasileiro e outro decisivo pelo Campeonato Paulista, resultado que ajudou o time a se afastar da zona de rebaixamento do Estadual. Não se trata de uma virada estrutural, mas de sinais que contrastam com o ambiente de colapso vivido semanas atrás.
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A liderança de Harry Massis é transitória, e os problemas seguem longe de uma solução definitiva. Ainda assim, o clube vive um momento de inflexão, em que a crise foi assumida publicamente, o discurso foi ajustado à realidade e o futebol começou, mesmo que timidamente, a acompanhar o movimento. Em um São Paulo acostumado a promessas e rupturas abruptas, talvez o maior avanço seja justamente este: reconhecer o tamanho do problema antes de tentar superá-lo. O São Paulo tem uma dívida estima de R$ 912 milhões. O ex-lateral Rafinha foi contratado para tentar “acalmar” o vestiário do Morumbis.






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