Há quase vinte anos, em maio de 2006, eu estava no Stade de France, nos arredores de Paris, na última vez em que o Arsenal chegou a uma final da Liga dos Campeões, contra o Barcelona. Naquela época, o Arsenal era o melhor time da Inglaterra. Dirigido pelo francês Arsène Wenger, o time tinha como estrelas os franceses Robert Pires e Thierry Henry, o brasileiro Gilberto Silva e o espanhol Cesc Fàbregas. Tanto que, mesmo contra uma equipe recheada de estrelas, como Ronaldinho Gaúcho, Deco e o camaronês Samuel Eto’o, o Arsenal começou melhor. Mas não levou.
Até que, aos 18 minutos de jogo, aconteceu o lance que mudaria a história daquela partida: em um contra-ataque traiçoeiro, Eto’o surgiu sozinho, rumo ao gol defendido pelo goleiro alemão Jens Lehmann, que, imprudente, o atingiu violentamente – e foi expulso. Mesmo com um jogador a menos, o time inglês ainda conseguiu sair na frente, com uma cabeçada de Sol Campbell, após um cruzamento certeiro de Henry. Mas a desvantagem numérica cobrou um preço alto: sem pernas, conforme os ponteiros do relógio avançavam, não deu mais para parar Eto’o, que arrancou pela esquerda e empatou aos 21 do 2º tempo.

Também não deu para impedir que o lateral-direito brasileiro Juliano Belletti tabelasse com o sueco Larsson e, de surpresa, chutasse para as redes, por entre as pernas do goleiro Almunia, que tinha saído do banco de reservas. Desde então, o Arsenal mergulhou em uma das mais tenebrosas fases de jejum de títulos da sua história.
Fim do jejum?
Mas essa época ruim pode estar com os dias contados. Ao vencer o Atlético de Madrid por 1 a 0 nesta terça-feira, com um gol de Saka, aos 30 minutos do 1º tempo, para a festa de sua torcida no Emirates Stadium, no jogo de volta da semifinal da Liga dos Campeões deste ano, a equipe do norte de Londres tornou-se a primeira a garantir seu lugar na decisão do mais badalado torneio de futebol da Europa – marcada para a húngara Budapeste, no próximo dia 30 de maio.
Apesar de ter a melhor campanha no campeonato, o Arsenal será o azarão contra os mais badalados Paris Saint-Germain ou Bayern de Munique, que jogam nesta quarta. Mas a equipe inglesa tem outros bons argumentos a seu favor.
Nova expectativa

Como jogam os Gunners
Agora, com um time bem postado em campo, variando entre o clássico 4-3-3 e o 4-2-3-1, Arteta montou uma base sólida. Tem a equipe em torno de uma defesa sólida e compacta, com o brasileiro Gabriel Magalhães e o francês William Saliba na zaga, à frente do seguro David Raya no gol.
No meio de campo, o inglês Declan Rice, o belga Trossard e o espanhol Marin Zubimendi e Martin Odegaard dão ritmo ao time e armam as jogadas para atacantes perigosos como Eberechi Eze, Bukaya Saka, Gabriel Martinelli, Viktor Gyokeres, Kai Havertz e Gabriel Jesus. E ainda o time se articula bem com os laterais Timber, pela direita, e Calafiori, pela esquerda.
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Outro ponto muito forte no trabalho coordenado por Arteta são as bolas paradas em escanteios e faltas cruzadas: mérito para Nicolas Jover, o treinador de bolas paradas da equipe, que passaram a ser um tormento para os adversários. É apenas um exemplo de como a busca incessante pela atenção a detalhes da era Michael Arteta passou a fazer parte da rotina de treinamentos. Junte a isso um time com fome de vencer após 22 anos de fracassos, e não dá para descartar o Arsenal no topo da Europa, em uma temporada vencedora como não se vê há duas décadas.





