Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC

Não é só a seleção brasileira quem vive sua crise. Os olhares da imprensa e da torcida para o futebol mundial também estão enviesados. Ainda que seja justo pensar que há visões diferentes, pensamentos distintos e democraticamente aceitos, impressiona como uma parte das pessoas passou anos pedindo técnico estrangeiro à frente da seleção mais vitoriosa do planeta e tem dificuldade para compreender a diferença no uso de convocações e jogos amistosos para brasileiros e estrangeiros.

O que você precisa saber sobre a Copa 2026

Ancelotti está montando seu time. Jogou bem contra a Croácia. Ninguém dirá que o time está pronto. Melhor não estar mesmo. Melhor do que ser como foi em 2006, Copa em que muita gente julgava o Brasil perfeito para ganhar o hexa em maio e não chegou nem perto em 1º de julho, data da eliminação contra a França na Alemanha.

Carlo Ancelotti tem agora até o dia 18 de maio para definir a sua lista da seleção brasileira para a Copa 2026/ CBF

Há quem não consiga nem sequer olhar para o sistema tático e notar que, apesar de quatro atacantes de formação, o Brasil de Ancelotti joga no 4-4-2. São duas linhas de quatro, como o treinador cinco vezes campeão da Champions League descreveu ser sua preferência em dois livros já publicados – “Liderança Tranquila” e “O Sonho”, ambos com tradução em português.

A função de Matheus Cunha

Matheus Cunha fechou todo o corredor esquerdo como ponta, quarto homem do lado esquerdo no setor de meio-de-campo. Contra a Croácia, sua função defensiva era proteger Vinicius Júnior, para que o melhor do mundo de 2024 ficasse livre das tarefas de marcação sempre que os croatas tinham a bola. Com Luiz Henrique bloqueando a subida de Perisic pelo lado direito do meio-de-campo, o desenho tático ficava assim: Ibañez, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos; Luiz Henrique, Danilo Santos, Casemiro e Matheus Cunha; João Pedro e Vinicius Júnior. Ou seja, não é um 4-2-4, como parte dos analistas ainda insiste em dizer. É um clássico 4-4-2, apenas com jogadores de características ofensivas.

Há motivo para isso. Ancelotti prefere escalar os mais talentosos e participativos – Neymar está fora desta última descrição. Uma espécie de Zagallo moderno, ou Felipão da década de 2020, que privilegia juntar os melhores e fazer com que trabalhem a favor do time. Existe muita coisa para ser aprimorada. Por que Vinícius Júnior tem que jogar pelo lado esquerdo e puxar Matheus Cunha como ponta de lança, quando o Brasil tem a bola? Porque é o conforto do camisa 10. Não precisava ser assim se não funcionasse. Mas agora funcionou.

Vini Jr teve mais liberdade e menos preocupação para marcar pelo lado esquerdo contra a Croáxia / CBF

Casemiro é a ponte cultural entre o treinador e o país – e o time – que adotou. Ancelotti conta ter ido assim em sua chegada ao Chelsea, com Ray Wilkins, a quem conheceu na Itália. Com Zidane, a quem dirigiu na Juventus e reencontrou no Real Madrid. Para serem essas pontes, Casemiro e Danilo servem como líderes, referências do que deu certo ou errado na seleção dos últimos anos – e também para compreender características do lugar onde Carletto vive.

Brasil é um candidato ao título

A adaptação dele ao Brasil se dá com quase perfeição, apesar de algum sotaque ao falar português, que o dono do armazém da sua rua, na infância, também tinha, fosse português, italiano, alemão ou espanhol. O que nos fere e faz dizer que não somos mais como no passado é a eterna comparação do Brasil com o Brasil. As comparações com o futebol da atualidade, a que Ancelotti está muito mais habituado, há craques da primeira prateleira e equilíbrio com as principais seleções. França à parte.

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A data-Fifa mostrou ingleses perdendo dos japoneses, espanhóis empatando com egípcios, argentinos sofrendo contra a Mauritânia, uruguaios sem sair do 0 x 0 com os argelinos. Os belgas golearam os norte-americanos e depois só empataram com os mexicanos. Tirando a França e a Espanha, a Copa do Mundo tem candidatos ao título, não favoritos. O Brasil é um deles. Carlo Ancelotti sabe disso melhor do que a maior parte dos 210 milhões de “técnicos brasileiros”.

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