Há uma tendência no futebol de afastamento das casas de apostas. Alguns clubes e entidades esportivas estão repensando as parcerias construídas com as bets para os próximos anos. Essa tendência também parte das próprias marcas em relação ao nível de exposição que elas estão tendo. A primeira a dar um passo nesse sentido foi a 7K. A casa de apostas pediu a romper o contrato com o Santos quatro meses antes do fim do acordo, que seria em abril deste ano.

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Algumas empresas, como a própria 7K, passam por investigações de órgãos reguladores com frequência para averiguar possíveis falcatruas e são obrigadas a responder agora conforme reza as leis. Ocorre que algumas determinações para a operação no Brasil ainda não estão totalmente regulamentadas e isso tem prejudicado o processo dos dois lados. As bets são quase sempre colocadas contra a parede e o futebol brasileiro convive com o temor de envolver o nome de clubes e instituições em manobras ilícitas.

Brasil já começou a regulamentar os sites de apostas esportivas, mas esse trabalho ainda não terminou / Reprodução

O “boom” das bets já passou. A tendência, até que tudo seja devidamente regulamentado pelo governo brasileiro, em todas as suas esferas, é que as bets optem pelo silêncio e pela redução de alguns contratos. A farra do dinheiro no esporte, mas principalmente no futebol, tende a diminuir. O Santos já anunciou o fim da parceria máster com a 7K, que levava para o clube do presidente Marcelo Teixeira R$ 50 milhões por ano.

Casas Bahia banca o Paulistão 2026

As marcas de casas de apostas não vão desaparecer do futebol. Longe disso. Muitos clubes e entidades esportivas ainda dependem do dinheiro delas. Quase todos os clubes do Brasileirão têm uma marca de bet estampada na camisa. Há também um “contra-ataque” no mercado das empresas tradicionais, dispostas a recuperar espaço de visibilidade no futebol e nos clubes. Aliás, o Paulistão 2026 fechou com as Casas Bahia como patrocinador principal.

Corinthians teve problemas com uma marca de bet, mas depois se acertou com a Esportes da Sorte / Corinthians

A guerra das marcas e dos espaços nos uniformes tendem a aumentar nas próximas renovações de contratos. Nos últimos três anos, ou até mais do que isso, as casas de apostas dominaram o cenário esportivo. Com as novas leis no Brasil para as suas operações, no entanto, também ficou mais caro para elas. Há taxas e obrigações trabalhistas, de modo a fazer com que os sites de apostas e futuramente os locais físicos para a jogatina (ainda sem aprovação) caminhem para uma reestruturação financeira.

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Algumas marcas chegam a pagar mais de R$ 100 milhões por ano a times de futebol para estampar suas marcas nas camisas. Essas bets também estão em comerciais de tevê em horários nobres e se juntaram a grandes players de comunicação e produtores de conteúdo. Mas não há nenhum estudo que relacione torcedores de determinados times fazendo apostas em sites que patrocinam os seus respectivos clubes. As bets investem R$ 1 bilhão por ano no futebol brasileiro. 

Ainda há receios

Ou seja: nessa jogatina das apostas esportivas não há fidelização. A tendência desse mercado é que marcas, instituições esportivas e empresas de comunicação reavaliem o mercado e as parcerias. A percepção de algumas casas de apostas é que os clubes entregam pouco em ações conjuntas justamente com receio de misturar as marcas em jogatinas.

Regulamentação

A regulamentação das apostas esportivas no Brasil é definida pela Lei nº 14.790/2023, que estabeleceu regras para a operação legal de sites de quota fixa no país. A fiscalização, autorização e controle das empresas são atribuições da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão ligado ao Ministério da Fazenda. A atividade havia sido legalizada de forma geral em 2018, pela Lei nº 13.756, mas somente em dezembro de 2023 passou a contar com normas detalhadas, exigências técnicas e mecanismos de fiscalização.

Para operar legalmente, as empresas precisam obter licença da SPA, pagar uma outorga de R$ 30 milhões (válida para até três marcas) e cumprir requisitos rigorosos de compliance. Entre as exigências estão a manutenção de sede e sistemas operacionais no Brasil.

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