Por Leonardo de Sá
O calendário aponta para o fechamento de um ciclo de dez anos sem visitantes nos clássicos paulistas em abril de 2026. Essa restrição começou quando o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública proibiram duas torcidas após o conflito fatal na estação São Miguel Paulista, em São Paulo. Desde então, a norma vigora para os confrontos entre o quarteto de ferro da capital e ao dérbi campineiro. No entanto, a eficácia da medida enfrenta questionamentos crescentes, já que a brutalidade entre grupos organizados não desapareceu totalmente do Estado.
Nesse sentido, os dados revelam que a proibição apenas alterou a geografia da violência no território paulista. Embora os incidentes nos arredores das arenas tenham caído para 10,7%, segundo dados dos anexos ao projeto da Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil (Anatorg), os embates migraram para rodovias e divisas metropolitanas. O episódio ocorrido em Mairiporã, no fim de 2024, exemplifica como a torcida única protege o entorno imediato, mas deixa o restante da malha urbana vulnerável. Portanto, o debate atual foca na falha de uma política que ignora as ocorrências verificadas fora do perímetro do evento esportivo.

Buscando reverter esse cenário, Anatorg apresentou à Polícia Civil e à Drade o plano técnico “Pelo Fim da Torcida Única”. O documento possui 49 páginas e sugere a implementação imediata de jogos-piloto para validar novas estratégias de segurança. Inicialmente, a proposta prevê uma carga controlada de até 10% para os visitantes em estádios selecionados. Dessa forma, as autoridades poderiam avaliar os impactos operacionais e sociais antes de uma abertura total das arquibancadas nos próximos meses.
Reconhecimento facial
Além disso, a grande aposta para viabilizar o plano reside no uso do reconhecimento facial, obrigatório em grandes arenas desde junho de 2025. Essa tecnologia permite que o Estado abandone a punição coletiva e foque exclusivamente na responsabilização individual de cada CPF. Com a identificação precisa nos portões, o poder público consegue isolar os infratores sem prejudicar o direito de torcer da maioria. Assim, a inteligência digital surge como a ferramenta necessária para modernizar o controle de acesso ao espetáculo.
Exemplos externos e cenário atual
O projeto também utiliza as experiências de sucesso na Alemanha, Inglaterra e Itália como referências fundamentais. Esses países enfrentaram crises de vandalismo severas, mas evitaram a exclusão permanente de visitantes por meio de sistemas de monitoramento e punições específicas. No cenário nacional, partidas como a Supercopa do Brasil, realizadas com duas torcidas em outros Estados, reforçam que o convívio é possível. Contudo, São Paulo ainda hesita em abandonar os protocolos emergenciais adotados na década passada.
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Apesar do saldo positivo nas primeiras reuniões com a Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva, o cronograma prático ainda é incerto. Enquanto o diálogo institucional avança, os clássicos decisivos continuam sob o regime de silêncio de metade das cores. Neste domingo, por exemplo, Palmeiras e São Paulo se enfrentaram pela semifinal do Paulistão apenas com torcedores palmeirenses na Arena Barueri. Em suma, o futuro das torcidas em São Paulo depende agora da conversão desses planos técnicos em ações políticas reais.





