O Palmeiras conseguiu transformar uma noite que parecia caminhar para uma vitória sofrida em mais uma coleção de dúvidas. O empate por 1 a 1 com o Cerro Porteño, Flaco López abriu o marcador e Carlos Miguel errou feio e deu o gol para o visitante, nesta quarta-feira, no Nubank Parque, pela ida das oitavas de final da Libertadores, não foi apenas um resultado ruim. Foi a confirmação de que o time de Abel Ferreira atravessa um momento em que até aquilo que durante anos foi uma de suas maiores fortalezas: jogar diante de sua torcida deixou de oferecer segurança.

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No Campeonato Brasileiro, o recorte é especialmente incômodo. Nos últimos cinco jogos como mandante, o Palmeiras venceu apenas uma vez: empatou por 1 a 1 com Santos e Cruzeiro, bateu a Chapecoense por 1 a 0, perdeu por 2 a 1 para o Atlético-MG e ficou no 0 a 0 com o Internacional. Foram somente seis pontos em 15 possíveis. A goleada por 3 a 0 sobre o Fortaleza, pela Copa do Brasil, interrompe esse recorte quando se misturam competições, mas não muda a sensação: a imposição em casa já não é a mesma.

Palmeiras Flaco López
Flaco López mostra faro de artilheiro e coloca o Palmeiras em vantagem; vacilo de Carlos Miguel estraga noite / Palmeiras

Palmeiras em pânico

E o Cerro Porteño virou uma espécie de retrato dessa dificuldade. Pela terceira vez em 2026, o Palmeiras enfrentou o time paraguaio e novamente não venceu. Na fase de grupos, empatou por 1 a 1 em Assunção e perdeu por 1 a 0 em São Paulo. Agora, novo 1 a 1. São dois empates e uma derrota contra um adversário que, em outros momentos recentes da era Abel, costumava sofrer diante do futebol palmeirense. Na próxima quarta-feira, o vencedor carimba a vaga às quartas de final. Um novo empate levará a decisão para a cobrança de penalidades.

O problema é que o roteiro desta quarta-feira poderia ter sido ainda pior. Logo aos 11 minutos, Murilo perdeu uma bola perigosa para Jorge Morel, que avançou sozinho e tentou driblar Carlos Miguel dentro da área. O jogador do Cerro pisou na perna do goleoiro, caiu e pediu pênalti, mas o árbitro uruguaio Gustavo Tejera mandou o jogo seguir. Foi um aviso claro do que aconteceria durante boa parte da noite: sempre que o Palmeiras se desorganizava, os paraguaios encontravam espaço para acelerar e ameaçar.

Carlos Miguel entrega ouro

O time de Abel teve mais posse, empurrou o adversário para trás durante longos períodos e criou oportunidades, mas voltou a apresentar um futebol apressado, pouco fluido e vulnerável quando perdia a bola. Vitor Roque teve chance logo no início, Arias acertou a trave e depois desperdiçou ótima oportunidade, mas o volume não se transformava em controle verdadeiro da partida.

Aos 24 minutos do segundo tempo, o susto ganhou tamanho de gol. Guillermo Benítez aproveitou uma sobra, passou por Murilo e bateu colocado para fazer 1 a 0. A arbitragem, porém, anulou o lance por impedimento após a intervenção do VAR, comandado pelo também uruguaio Leodan González. Três minutos depois, a situação palmeirense piorou: Andreas Pereira acertou o braço de Klimowicz ao tentar escapar da marcação e recebeu cartão vermelho direto de Tejera.

Com dez jogadores, curiosamente, veio a reação. Aos 36 minutos, Murilo chegou à linha de fundo, a defesa afastou parcialmente e Marlon Freitas ajeitou de cabeça para Flaco López. O argentino bateu de primeira e colocou o Palmeiras em vantagem. Era o tipo de gol que poderia transformar uma atuação ruim em uma vitória valiosa de mata-mata.

Palmeiras Carlos Miguel
Carlos Miguel no lance com Jorge Morel, que pisa na perna do goleiro, cai e juiz acerta e não marca o pênalti / Palmeiras

Era só segurar o resultado, mas aí, nos acréscimos, o goleiro Carlos Miguel voltou a comprometer. Jonatán Torres cruzou rasteiro procurando Vegetti. O centroavante não alcançou a bola, mas o goleiro palmeirense se atrapalhou e permitiu que ela entrasse. Na súmula, o gol creditado ao arqueiro palmeirense. Um erro pesado, ainda mais porque não foi o primeiro recente. Contra o Atlético-MG, pelo Brasileiro, Carlos Miguel já havia falhado no primeiro gol ao não segurar uma finalização de Cassierra, deixando Victor Hugo marcar no rebote. Naquela noite, ainda saiu mal na jogada do segundo gol mineiro.

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A lembrança mais recente também recomenda cuidado. A última eliminação palmeirense nas oitavas de final da Libertadores aconteceu em 2024, diante do Botafogo. O Palmeiras perdeu a ida por 2 a 1 no Rio, empatou a volta por 2 a 2 no Allianz Parque e caiu por 4 a 3 no placar agregado. Dois anos depois, o risco reaparece. Não porque o Cerro Porteño tenha construído vantagem. Mas porque, três jogos depois, o Palmeiras ainda não descobriu como vencê-lo — e porque um time acostumado a transmitir segurança nos momentos decisivos começa a chegar a eles cercado de dúvidas.

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