O Palmeiras não quer vender Flaco López. Mas precisa do dinheiro. E o mercado parece disposto a testar até onde vai a resistência de Leila Pereira e Abel Ferreira para liberar o jogador argentino. Valorizado depois de disputar a Copa do Mundo pela Argentina, apesar de mais treinar do que jogar, o atacante voltou ao clube em outro patamar e já recebeu uma proposta de 20 milhões de euros do Spartak Moscou, da Rússia. Mas o Palmeiras fechou a janela para a oferta. E disse “não”. Mas não é um “não” provisório. O Palmeiras espera propostas maiores, na casa dos 30 milhões de euros.
A negativa mostra que o Palmeiras quer mais dinheiro. Tem pouco a ver com a prioridade esportiva do Palmeiras. O clube tem meta orçamentária alta com venda de jogadores neste ano, prevista em R$ 400 milhões. E o Flaco pode ajudar muito a alcançar esse valor. Mas Leila não pretende desmontar o time nem aceitar ofertas consideradas baixas, como disse aos russos. Até maio, o clube havia realizado apenas R$ 78 milhões em negociações de atletas. Portanto, faltam R$ 322 milhões. Ainda assim, a ordem interna é clara: preservar os principais jogadores. Ou seja: Abel Ferreira não corre risco de ver o seu time se desmanchar.

Flaco está nesse grupo até a página 2. O atacante sempre foi importante para Abel e para o time, mas ganhou peso depois da Copa e também faz parte da estratégia do clube de fazer dinheiro. Ele já havia despertado sondagens, mas não propostas do Atlético de Madrid. O clube espanhol não avançou porque o Palmeiras queria esperar o fim da Copa, certo de que o atacante fosse valorizado. Como foi.
Palmeiras recusa 20 milhões de euros
O mercado está apenas se aquecendo. A janela está aberta e o jogador sabe que foi valorizado. A combinação é favorável para a venda. O Palmeiras recusou os 20 milhões de euros do Spartak, cerca de R$ 116,6 milhões, mas entende que o mercado europeu pode voltar. Flaco é centroavante, tem força física, vive bom momento e carrega agora o selo de jogador de seleção argentina vice-campeã do mundo. Tem o seu peso.
Leila Pereira já deixou claro que não pretende vender atletas importantes apenas para bater meta financeira. Isso é bom. “Preciso ter um time forte. Você não conquista títulos se desfazendo dos principais jogadores. A criatividade de como pagar as contas, a presidente resolve”, disse ela ao explicar a estratégia do Palmeiras no segundo semestre, quando os torneios são definidos. O Palmeiras ganhou o Paulistão, lidera o Brasileirão e mira Libertadores e Copa do Brasil.

Abel está fechado com a presidente. O treinador afirmou que o desejo é não perder ninguém ou, no máximo, negociar jogadores que não farão falta ao elenco. O português quer opções em todas as posições para disputar as competições até o fim do seu contrato. É claro que a saída de Flaco seria um problema esportivo para o treinador, mas segue sendo uma possível operação financeira do clube.
Dinheiro picado de vendas
O Palmeiras também tenta fazer caixa por outro caminho. A diretoria trabalha principalmente com atletas menos utilizados, jogadores da base e percentuais mantidos em negociações anteriores. Foi assim com Pedro Lima, vendido pelo AVS ao Sporting, transferência que rendeu cerca de R$ 7 milhões ao clube. Também foi assim com Naves, negociado com o Necaxa, do México, por US$ 3 milhões, com o Palmeiras mantendo 25% dos direitos econômicos. Luighi também entrou nessa conta. O atacante foi emprestado ao New York City, da MLS, por US$ 300 mil, com opção de compra de US$ 6 milhões e manutenção de 20% dos direitos para uma venda futura. São negócios menores, mas que ajudam a gerar receita sem mexer no núcleo do time de Abel.
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O Palmeiras ainda pode negociar outras crias da Academia, como Benedetti, que perdeu espaço com a chegada de Barboza. Durante a pausa para a Copa do Mundo, o Palmeiras integrou novos jovens ao profissional, como Koné, Felipe Teresa, Miguel Bilong e Eduardo Conceição. Eduardo, de apenas 16 anos, já aparece como candidato a uma grande venda no futuro. Mas nenhum nome tem neste momento o peso de Flaco López no mercado. A proposta russa foi recusada, mas colocou o atacante no centro da janela. Se aparecer uma oferta maior, principalmente de um mercado mais atrativo esportivamente, o Palmeiras terá uma decisão difícil pela frente.
Por enquanto, o discurso é de manutenção. Leila quer o time forte. Abel quer o elenco completo. O Palmeiras se considera financeiramente saudável para priorizar títulos. Mas o futebol vive de oportunidade, pressão e cifras.





