O julgamento de Victor Gabriel, zagueiro do Internacional, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), já era grave pelo lance em si, mas ficou ainda pior pela forma como o clube gaúcho tentou defender o seu atleta. O Inter apresentou como prova nos tribunais um áudio falso atribuído ao VAR daquele jogo. Não se tem notícias desse tipo de ação desde que o VAR entrou em ação no futebol brasileiro, em 2019. O áudio fake está no processo. Na jogada da punição, Victor Gabriel fraturou da tíbia da perna esquerda de Gabriel Pec, atacante do Cruzeiro. O jogador do Inter foi punido severamente e só poderá atuar quando o seu colega de profissão voltar a jogar.
Mas a cena do áudio falso ultrapassa o erro jurídico e entra na seara da “má fé” ou da “falcatrua”. Trata-se de um constrangimento institucional do Inter, passível de queda de toda a diretoria jurídica do clube. O áudio levado pela defesa colorada supostamente reproduziria a conversa entre o árbitro de campo e a cabine do VAR no lance que terminou com a expulsão de Victor Gabriel. O problema é que o material não era oficial. Era um “meme” desses de redes sociais.

Victor Gabriel foi julgado nesta terça-feira pela Sexta Comissão Disciplinar do STJD por jogada violenta contra Gabriel Pec, na partida entre Internacional x Cruzeiro, pelo Brasileirão. O atacante cruzeirense sofreu fratura na tíbia da perna esquerda depois da entrada do defensor colorado. O jogo foi no Beira-Rio. O zagueiro foi expulso pelo árbitro Flávio Rodrigues de Souza.
Punição ao jogador e novo problema
A denúncia foi feita com base no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de jogada violenta. O STJD informou antes do julgamento que, pela gravidade da lesão, Victor Gabriel poderia ficar suspenso até o retorno de Gabriel Pec aos treinamentos, respeitado o limite máximo de 180 dias previsto pela lei. Isso representa seis meses.
O caso, portanto, já tinha peso esportivo e jurídico suficientes. Gabriel Pec havia acabado de chegar ao Cruzeiro, sofreu a lesão e deve perder a temporada. Victor Gabriel, por sua vez, chegou ao julgamento tentando reduzir o tamanho da punição e da gravidade. Era uma defesa delicada. Mas o uso de um áudio falso transformou a tentativa em um vexame jurídico do clube, que ainda não se manifestou. A CBF também deve se manifestar.
Áudio falso no STJD
A informação foi divulgada pela Rádio Itatiaia e aponta que a defesa do Internacional cometeu uma “gafe” ao usar o material fake no julgamento. O áudio era apresentado como se ajudasse a explicar a comunicação entre arbitragem e VAR, mas acabou criando uma segunda pauta dentro do processo: a fragilidade da prova usada por um clube do tamanho do Inter diante do tribunal desportivo. O mais impressionante é que o caso não envolve uma dúvida pequena. Áudio de VAR é documento sensível. Tem origem oficial, protocolo e cadeia de divulgação. Não pode aparecer em um julgamento como peça solta, sem confirmação, ainda mais em um processo que envolve lesão grave, expulsão e risco de suspensão longa.
Para o Internacional, o estrago de imagem é evidente. O clube já precisava explicar a entrada dura de seu jogador. Agora, também terá de explicar como um áudio falso chegou à defesa e foi apresentado no STJD com prova oficial. Em um ambiente jurídico, esse tipo de erro não é detalhe. É munição contra a própria tese. O Inter foi representado pelo advogado Rogério Pastl. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também não se manifestou.
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O julgamento de Victor Gabriel deixa uma lição incômoda. No futebol brasileiro, a discussão sobre arbitragem e VAR virou terra fértil para cortes de vídeo, montagens, versões editadas e supostos áudios. Mas uma coisa é rede social. Outra é o tribunal. Há muita diferença entre uma coisa e outra. Quando um clube leva esse tipo de material para um julgamento, assume responsabilidade pelo que apresenta. A defesa de um atleta tem todo o direito de contestar a expulsão, discutir a intenção, apontar contexto e pedir redução de pena. O que não pode é tentar sustentar argumentos com prova falsa.
O Inter saiu do julgamento menor do que entrou. E mais culpado. Não apenas pela punição a Victor Gabriel, mas pela sensação de improviso em um caso sério do futebol brasileiro, que envolve o principal torneio do país e a CBF.





