Vitória 0 x 0 Corinthians não foi um jogo, foi uma autêntica pelada — daquelas que poderiam entrar para o livro dos recordes. Não por algum feito memorável, mas pelo absurdo: Corinthians e Vitória passaram mais de uma hora e vinte minutos sem acertar um único chute no gol e ainda protagonizaram uma coleção de mais de 100 passes errados. Um jogo que, se não for lembrado pela história, ao menos merece registro pela pobreza técnica. Indigno de dois clubes profissionais da Série A do Campeonato Brasileiro.

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Por mais paradoxal que pareça, o resultado é pior para o Corinthians. O empate na Bahia soma apenas um ponto a uma campanha já preocupante: agora são 12 pontos em 36 possíveis, números que empurram o time para a zona de rebaixamento. Ultrapassado por concorrentes diretos, especialmente pelo Cruzeiro, que venceu o Grêmio por 2 a 0 e saiu do Z4, o clube vê ganhar força o temor de reviver, em 2026, o drama que tem sido a rotina agonizante nas últimas temporadas.

Corinthians, de Hugo Souza, fez uma de suas piores partidas desde a chegada de Diniz: vaga no G4 / Corinthians

O primeiro tempo foi obsceno. Quarenta e cinco minutos de absoluto nada, como se o relógio tivesse corrido em vão e o jogo jamais tivesse existido. O momento mais digno de registro até o intervalo foi um pedido de casamento encenado no gramado por um casal de torcedores do Vitória — um raro instante de emoção em meio ao vazio técnico. Fora isso, o que se viu foi um grupo de 22 jogadores divorciados da bola, contaminados por uma apatia coletiva constrangedora.

Sem ferir um ao outro

O Vitória até teve mais posse, mas fracassou completamente em termos de ofensividade. Sem sua principal referência desde cedo (Renato Kaiser se contundiu logo no início), limitou-se a trocar passes laterais, sem ferir o adversário. O Corinthians, por sua vez, foi o retrato de sua fase: um time incapaz de agredir, previsível, lento, burocrático. A sucessão de erros de passe e a falta de intensidade levaram Fernando Diniz à loucura à beira do campo. Seus jogadores confundiam cadência com imobilidade — e, em alguns momentos, literalmente andavam em campo, como se estivesse passeando no Farol da Barra à beira-mar da Bahia.

Diniz está invicto após quatro jogos no Corinthians e sem sofrer gols, mas equipe vai para o Z4 / Corinthians

Quem assistiu à etapa inicial saiu frustrado, independentemente da torcida. Nenhuma finalização no alvo, nenhuma defesa, nenhuma jogada digna de nota. Yuri Alberto e Kayke foram figuras quase decorativas, engolidas pela falta de criatividade coletiva.

Pobreza técnica

E o mais impressionante é que o segundo tempo manteve — e até aprofundou — esse cenário. O jogo já flertava com o constrangimento estatístico até que, aos 42 minutos, finalmente surgiu um chute esporádico na direção do gol, em um arremate de fora da área de Zé Vitor que exigiu uma defesa de Hugo. Até ali, os goleiros eram meros espectadores.

A pobreza técnica também se traduziu nos números: mais de 110 passes errados ou incompletos, um índice que ajuda a explicar por que nada acontecia. Era um jogo travado, um desfile de incapacidade difícil de acreditar. Na tentativa de mudar o panorama, Diniz mexeu cedo e com coragem. Tirou o lateral Pedro Milans para a entrada do atacante Kaio César e, mais tarde, lançou Zakaria Labyad e Jesse Lingard em campo. Apostou no risco, tentou acelerar o jogo. Mas não havia organização nem inspiração suficientes para que qualquer mudança surtisse efeito. O problema era mais profundo.

Pior ataque da competição

O dado estatístico escancara a falta de ofensividade do Corinthians, dono do pior ataque da competição com apenas oito gols marcados. Em um campeonato com apenas seis registros de empates sem gols, o Corinthians já aparece em três deles. Não é coincidência — é sintoma de um ataque inoperante e de um time que parece não saber como fugir desse pântano.

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Se há um consolo, ainda que mínimo, é que sob o comando de Fernando Diniz a equipe ainda não perdeu nem sofreu gols em quatro jogos. Mas, neste momento, isso soa quase irrelevante. A zona do rebaixamento chegou e agora começa aquele desespero de remar contra o fundo do poço a cada rodada. Pelo visto, Diniz vai ter que renovar seu estoque de broncas e impropérios para tentar acordar esses jogadores.

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