A notícia confirmada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre a descoberta de um plano para sequestrar o ex-jogador e atual presidente do Vasco, Pedrinho, é o retrato mais grotesco do que a intolerância no futebol pode gerar. Ainda que não se conheçam todos os detalhes da investigação, e que se trate, por ora, de uma suspeita, é impossível não reagir com indignação diante de algo tão descabido, tão irracional.

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Segundo a Delegacia Antissequestro (DAS), a denúncia anônima recebida indicava que o crime ocorreria ainda nesta semana, quando Pedrinho deixasse a sede do clube. O dirigente foi informado nesta terça-feira e orientado a reforçar sua segurança pessoal. A própria DAS destacou que a apuração está em fase preliminar, mas segue todos os protocolos previstos.

Pedrinho, presidente do Vasco, denuncia ameaça de sequestro por causa da fase do time na temporada / Vasco

Em entrevista ao ge.com, Pedrinho desabafou: “Depois das ameaças de morte e da divulgação do meu endereço, agora fui surpreendido com a informação da polícia sobre uma denúncia de tentativa de me sequestrar. As pessoas estão ultrapassando todos os limites. É inaceitável. Confio nas autoridades policiais e tenho certeza de que, em breve, os culpados serão punidos.”

Terror no clube da paixão pelo clube

Se, como se especula, essa ideia criminosa tiver qualquer relação com a insatisfação de torcedores pelos resultados em campo, estamos diante do ápice da distorção do que significa amar um clube. De modo que transformar frustração esportiva em sequestro é atravessar todas as fronteiras do aceitável, é instaurar o terrorismo no lugar da paixão.

Já não bastam as operações de intimidação que se tornaram rotina no futebol brasileiro: dirigentes acuados, técnicos encurralados em treinos, jogadores perseguidos nas ruas ou nos estádios. A escalada de violência, muitas vezes orquestrada por facções infiltradas nas organizadas, já havia passado de todos os limites. Agora, a suspeita de um sequestro de dirigente é a prova de que a linha entre paixão e barbárie foi cruzada há muito tempo.

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De modo que não existe meio-termo. Não existe tolerância para esse tipo de prática. É preciso que a polícia investigue com rigor absoluto, identifique e puna cada um dos responsáveis — com cadeia, não com tapinha nas costas ou acordos de bastidores. Profissionais de futebol não podem ser condenados a viver com medo, a olhar por cima do ombro a cada passo, a ter de pensar na própria segurança antes de exercer seu trabalho.

Sequestrar o presidente? Não dá

Quando a violência chega ao ponto de arquitetar um sequestro contra o presidente de um clube, não estamos mais falando de futebol. Estamos falando de crime organizado, de ameaça direta à integridade física de um ser humano, de um ataque covarde à civilidade. Portanto, é hora de todos — autoridades, imprensa, dirigentes e torcedores — se levantarem contra essa praga que corrói o esporte. Porque o dia em que aceitarmos o terror como parte do jogo será o dia em que o futebol, como o conhecemos, terá morrido.

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