A pouco menos de dois meses da Copa do Mundo, as competições de peso bateram à porta dos clubes brasileiros. Tudo ao mesmo tempo. O torcedor palmeirense vive um dilema em relação ao seu time: ele comemora os três pontos das partidas ou lamenta o futebol fraco que não empolga? Será que é impossível ter um pouco dos dois? A performance do Palmeiras nesta temporada virou uma montanha-russa de pragmatismo. O time é chato de ser batido, é verdade, mas também não tem sido exatamente prazeroso assistir vê-lo ganhar. Abel Ferreira ligou o “modo segurança” e jogou a chave fora. O Palmeiras tem colecionado atuações eficientes, porém, todas elas protocolares.

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A apreensão do torcedor passa pela falta de repertório da equipe, uma dificuldade em assumir o protagonismo dos jogos mesmo contra rivais inferiores, como foi o caso do peruano Sporting Cristal na quinta-feira, pela Libertadores, no Allianz Parque. O Palmeiras é muito melhor tecnicamente e tem muito mais condições estruturais e econômicas. Mas parou em sua própria ineficiência e tomadas erradas de decisão na cara do gol. Venceu por 2 a 1, mas passou um sufoco desnecessário, segundo parte de sua torcida.

Apesar dos resultados, performance do Palmeiras tem sido criticada por parte da torcida neste ano / Palmeiras

Se o contra-ataque não encaixa, se a bola na área não salva o time ou se não há um brilho individual, por ora, o Palmeiras parece bater bumbo para ganhar suas partidas, numa mistura de sorte e competência, ambas válidas do futebol. Com o elenco teoricamente voando fisicamente nos primeiros 45 minutos, nem sempre o time consegue se impor como a torcida esperava. Nem em sua casa. O que acontece, porém, é um excesso de passes laterais, chuveirinhos aleatórios e uma dificuldade enorme de furar bloqueios, deixando a sensação de que o time atingiu um teto tático.

O placar e a realidade

Vencer sem convencer é muito bom. Vale três pontos da mesma forma e as classificações falam sempre mais alto. Mas tornar isso um hábito é um risco nada estratégico. Com a proximidade das fases agudas das Copas e o Brasileirão perto de sua metade, a falta de soluções criativas no setor ofensivo do Palmeiras pode ser fatal. Há jogadores para jogos grandes. Mas falta o imprevisível e o surpreendente. A estrutura defensiva continua sólida feito uma rocha, mas o ataque continua pouco produtivo. É preciso ter cuidado para criticar porque o time lidera o seu grupo na Libertadores e está no topo do Brasileirão. Mas o torcedor está ressabiado.

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Se o objetivo é levantar mais troféus em 2026 além do Paulistão, o resultado isolado já não pode mais servir de escudo para exibições tão burocráticas da equipe e do seu modo de atuar. Dependendo do contexto e do adversário, a atual condição do Palmeiras pode não ser suficiente para as pretensões do time.

Queda técnica

Há uma sensação de que o rigor defensivo imposto por Abel está “engessando” a criatividade. Mas, além do sistema, é preciso olhar para quem o executa. O momento de alguns pilares do elenco, especialmente no ataque, acende o sinal de alerta. Allan, por exemplo, tem alternado momentos de brilho com períodos de apatia. Maurício também carece de constância. Flaco López tem combinado períodos de destaque com um lado bem “fominha”. Vitor Roque tem demorado mais tempo do que se imaginava para se recuperar. E ninguém sabe o que ele tem ao certo. Paulinho, então, nem se fala. Arias, recém-chegado, é o que mais tem demonstrado constância. Mas o time não pode depender somente dele.

O plano é suficiente?

Sem o refino individual para quebrar linhas, o coletivo torna-se um exército de operários que executa bem o script do plano de Abel. A dúvida é se o plano como está colocado é suficiente para grandes feitos na temporada.

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