Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC
Neymar perdeu para o Vasco por 6 a 0. Ops! Tem algo errado nesta frase. O Vasco é um time, Neymar um jogador. Quem perdeu foi o Santos, a crise é santista e Neymar é apenas parte dela. Mesmo que pareça a maior parte, é um pedaço de um problema que se arrasta há quase uma década, desde 2016, quando o Santos conquistou seu último título, o Estadual. Taças nacionais ou internacionais, não há desde a Recopa de 2012. Brasileirão, desde 2004. Neymar tinha 12 anos.
Há dois debates bem marcados, anotados, definidos. Um é a crise santista. Rebaixado em 2023, perdeu naquela campanha por 7 a 1 para o Internacional. Ganhou a Série B de 2024 e Neymar chegou em fevereiro para um contrato que, segundo o presidente Marcelo Teixeira, o Santos pode pagar. Foram R$ 105 milhões nos primeiros cinco meses. Garantidos, mas com contratos de imagem amarrados que podem ter ajudado a pagar.

Neymar é outra crise, exposta no documentário sobre sua vida, o “Caos Perfeito”. O maior craque brasileiro da geração posterior ao pentacampeonato julga ser o Batman para sua família e o Curinga para a sociedade. Recentemente, ele comprou uma réplica do batmóvel. Mas corre o risco de se tornar o Curinga para a torcida do Santos, se for rebaixado.
Santos investiu pesado em Neymar
Há interpretações diferentes sobre seu choro após a goleada para o Vasco. Dentro do vestiário, há quem diga que ele sentiu mais do que os outros. Não é possível entrar em seu coração para dizer que foram lágrimas de crocodilo.
A crítica mais justa passa por sua liderança. “Um homem também chora.” A letra de “Guerreiro, Menino”, de Raimundo Fágner, não serve para Neymar pelo choro, apenas porque ele não é mais menino. Por vezes, depois dos 0 a 3 para o Mirassol e dos 0 a 6 para o Vasco, Neymar parece se colocar como uma ilha de talento, cercada por pernas-de-pau por todos os lados.
‘Vou jogar com um gênio’
Não é isso. O Santos investiu em jogadores de sucesso em outros clubes, como Barreal, Rollheiser, Tiquinho Soares, Mayke. Os jogadores idolatram Neymar por seu talento, como demonstra o depoimento de Mayke, ao sair do Palmeiras. “Já joguei com craques e, pela primeira vez, vou jogar com um gênio.”

O ponto é que os gênios também envelhecem. Não se trata de saber se Neymar não tem o corpo de Cristiano Ronaldo ou de Messi, aos 33 anos, por não ter se cuidado antes. Trata-se de perceber que seu corpo não responde do mesmo jeito que respondiam Messi e Cristiano na mesma idade.
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Pode ser por qualquer motivo. Para Neymar, é uma conquista jogar sete partidas consecutivas por 90 minutos. Não foi destaque em quase nenhuma delas, mas é valiosa sua presença em campo. Seleção brasileira ou Copa do Mundo são questões para outro momento. Agora é a hora de Neymar liderar a saída do Santos de sua crise. Mas também não está conseguindo.





