Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC
O brasileiro Maurício pode jogar a Copa do Mundo pelo Paraguai. Até aqui, nenhum problema. Seu pai é paraguaio, passou a infância e parte da adolescência no país vizinho. É como Andreas Pereira, nascido na Bélgica, mas que se sente brasileiro. A questão é a quantidade de jogadores que atuarão entre junho e julho defendendo cores e bandeiras de países com os quais mal têm nenhuma relação.
É o caso do Catar desde a Copa de 2022, que arregimenta e contrata jogadores suficientemente bons para vestir sua camisa, mas não o bastante para atuarem por suas seleções de origem.

O Marrocos, na Copa Africana de Nações, teve 26 atletas inscritos. Só um nasceu em território marroquino. Também no Marrocos há ponderações a fazer. Hakimi é marroquino, mas nascido na Espanha, poderia optar pelas duas seleções e escolheu a terra de seus antepassados. Brahim Díaz é da mesma condição, mas disputou jogos por todas as seleções de base espanholas, antes de ser convencido pela federação a jogar por Marrocos.
O sentido das seleções
Há três décadas, desde que a Fifa inventou as datas específicas para partidas de times nacionais, alguém levanta a voz para dizer “eu odeio a data-Fifa.” Não é importante se gosta ou se não gosta. Relevante é a razão de existir seleções. Não fossem elas, o Brasil só assistiria a seus maiores talentos desfilando por campos da Europa, como se fossem Ayrton Senna representando o país a serviço de equipes de outras nações.
Uma forma de difundir o esporte por todo o planeta é ter os jogadores mais valiosos atuando também pela Nigéria, Argélia, Croácia, Bélgica, Holanda, Brasil, Argentina, Uruguai…

Se a economia do futebol é dos clubes, e não deixará de ser, as seleções ajudam a manter a modalidade como a mais seguida no planeta. Mais do que a NBA, mais do que a NFL, mais do que Kings League ou Fórmula 1. Neste ponto, não pode ser negócio. Quem contrata é Real Madrid, o Manchester City, o Barcelona, o Paris Saint-Germain… Não o Brasil, a Argentina, a Itália ou a Alemanha.
Quem já trocou de camisa
É verdade que houve campeões mundiais vestindo camisas de países diferentes dos de nascimento. Na Itália de 1934 tinha Monti, Guaita e Orsi, todos titulares e argentinos. Filó, ponta da Lazio, foi o primeiro brasileiro a ganhar uma Copa vestindo a camisa italiana. Quatro anos depois, o uruguaio Andreolo ganhou pela Itália, que teve estrangeiros em suas quatro conquistas – Gentile em 1982 e Camoranesi em 2006. A Alemanha teve Podolski, nascido na Polônia. Há casos e casos.
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Também não é problema haver um técnico estrangeiro, como Carlo Ancelotti no Brasil, Thomas Tuchel na Inglaterra, como o austríaco Ernst Happel na Holanda de 1978. Tudo é questão de bom senso. Se as seleções perderem o sentido, perderá sentido também a Copa do Mundo.





