Paulo Vinícius Coelho / PVC

Carlo Ancelotti levou um susto! Disseram a ele que os primeiros quinze minutos do primeiro treino da seleção brasileira, no CT do Corinthians, seriam abertos à imprensa. Na Ciudad Deportiva de Valdebebas, do Real Madrid, nem por decreto isso acontece. Em Milanello, Berlusconi seria tão proibitivo quanto Mussolini em tempos de Segunda Guerra Mundial. Corta! Voltemos no tempo uns vinte anos.

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Acaz Fellegger era o assessor de imprensa do time de futebol do Palmeiras em 1997, quando se ensaiava restringir as entrevistas coletivas de jogadores de futebol. Até ali, os repórteres estavam presentes, na linha lateral, em todos os treinos. Enquanto o craque saía, a gente dizia: “Viola, por favor…” O craque parava se quisesse ou inventava uma desculpa esfarrapada: “Parceiro, dez minutinhos…” Levava uma hora e meia.

Carlo Ancelotti faz seus primeiros treinos no comando da seleção brasileira para jogos contra Equador e Paraguai / CBF

Naquela época, Acaz dizia que ia imitar o Barcelona. Eu respondia que nos treinos do Barça, os jornalistas tinham direito a tomada para os computadores, cafezinho e não ficavam expostos ao sol e à chuva.

No CT do Arsenal

No Arsenal, você entra no prédio da imprensa, espera o assessor chamar, assiste a dez minutos e volta para esperar a coletiva. Se precisar gravar um boletim, faz em frente ao edifício, com as marcas do Arsenal e de patrocinadores aparecendo.

Aqui, os repórteres ficam na rua e há relatos de alguns assaltados enquanto gravam boletins em frente aos portões dos centros de treinamentos dos clubes. Vergonha!
Melhor nem contar tudo isso ao Ancelotti. Só resolver problemas. A CBF resolveu bem.

Deu os quinze minutos contados no relógio para atender tanto Ancelotti quanto aos jornalistas. Se o primeiro susto do técnico italiano foi sobre a cobertura dos treinos, imagine quando perder o primeiro jogo.

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No Brasil, já há técnicos europeus como Ancelotti. Dirigentes estrangeiros, como José Boto. Comentaristas estrangeiros, como Tim Vickery, Petkovic, Sorín… Só falta importar alguém que nos recorde que, no futebol, um time pode ganhar, empatar ou perder. Talvez Ancelotti nos ensine isso mais do que aprenda sobre os horários de gravações dos treinos.

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