O Corinthians vive um verdadeiro caos administrativo e financeiro e, ao que indica o movimento da maré, não deve inclinar o leme nem pra lá nem pra cá. Em meio a um ambiente bélico que se instaurou dentro dos muros do Parque São Jorge, Augusto Melo teve seu impeachment confirmado pelos sócios em Assembléia Geral. Vitória prática da chapa Renovação e Transparência, grupo político que elegeu Andrés Sanchez (três vezes), Mario Gobbi, Roberto de Andrade e Duílio Monteiro Alves.

Fato é que o agora ex-cartola do Timão, réu em investigação do caso Vai de Bet, deixou definitivamente o cargo e Osmar Stabile, primeiro vice-presidente da diretoria, sentou na cadeira.

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É bem verdade e vale pontuar que, ainda interino enquanto o processo de Melo se desenrolava, Stabile e os mais de 32 milhões de tripulantes da nau alvinegra viram a equipe eliminar o Palmeiras nas oitavas de final da Copa do Brasil. Foi também sobre o rival que veio o título do Paulistão. Um pouco de tranquilidade esportiva diante de uma campanha bem fraca no Brasileirão, com vexames na Libertadores e na Sul-Americana. Está ruim pelo tamanho do clube, mas compreensível num contexto de dívida de mais de R$ 2,6 bilhões, segundo último balanço oficial de abril.

Augusto Melo deixa o Corinthians com dívida de R$ 2,6 bilhões, sem pagar o estádio e com um Transfer Ban / Corinthians

A questão é que a torneira continua vazando e a mentalidade, aparentemente, não acompanha a preocupação que seus problemas exigem. O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, até tropeçou dizendo que queria que o clube fosse o Flamengo, mas reforçou após o pedido de desculpas pelas palavras. “Todos nós queremos ser um grande clube brasileiro e mundial. Um clube que arrecada R$ 1 bilhão por ano não pode viver a situação financeira e administrativa que vivemos.” Grande verdade.

O Corinthians sabia do Transfer Ban

Mas os dias passaram e a dívida de R$ 33,4 milhões com o Santos Laguna, do México, referente à contratação do zagueiro Félix Torres no ano passado, se transformou em Transfer Ban. Isso quer dizer que para poder registrar novos jogadores, o Timão precisa quitar o valor ou chegar a um acordo amigável com os mexicanos. Há um detalhe importante na história: o Corinthians sabia do risco do banimento desde 28 de julho, quando a CAS (Corte Arbitral do Esporte) condenou o clube, que já havia sido derrotado na Fifa e tentava um recurso no órgão.

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Como esperado, o Transfer Ban veio, mas o Corinthians se antecipou a ele. Um dia antes de ser punido, contratou o atacante Vitinho, ex-Flamengo, Inter e Botafogo, e que estava livre no mercado após deixar o saudita Al-Ettifaq. Os salários não foram divulgados, mas especula-se que seja na casa dos R$ 800 mil por mês. O contrato do jogador de 31 anos vai até dezembro do ano que vem, então é só fazer as contas. Lembre-se que o alvinegro ainda deve ver a fatura aumentar em breve, com punições referentes à contratação de Rodrigo Garro e à rescisão de Matías Rojas, em casos já tiveram audiência realizada e podem resultar em mais de R$ 65 milhões de débito.

Stabile não indica estabilidade

As administrações turbulentas têm se sucedido no clube e a embarcação segue à deriva. O Corinthians, agora de Stabile, não indica estabilidade. Pelo contrário. Esportivamente, o time tem breves suspiros e só. Financeiramente, encara uma verdadeira tempestade. Mas a prioridade da nau sacolejante não parece ser a de ajustar esse leme e o descontrole das contas.

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