O Corinthians terminou o primeiro turno do Brasileirão em clima melancólico — dentro e fora de campo. No sábado, os associados decidiram pela força do voto o impeachment do presidente Augusto Melo, um capítulo que mancha a história do clube. Dois dias depois, em Caxias do Sul, a equipe de Dorival Júnior protagonizou uma de suas piores atuações no ano — talvez a pior — ao ser derrotada pelo Juventude, que luta para escapar do rebaixamento e dificilmente conseguirá.

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Desde então, a busca por explicações para o péssimo desempenho pós-eliminação do arquirrival Palmeiras na Copa do Brasil tem rendido justificativas previsíveis. Dorival, jogadores e até analistas argumentam que, após um desgaste físico e emocional incomum contra o rival, seria natural um relaxamento na partida seguinte, numa segunda-feira gelada, longe da Fiel e no frio polar da Serra Gaúcha.

Corinthians termina a primeira parte do Brasileirão com derrota e sem rumo na competição / Corinthians

O problema é que essa é, no máximo, uma meia-verdade. É possível compreender que a concentração não tenha sido a mesma de um clássico decisivo, mas reduzir tudo a isso é ignorar o contexto mais amplo. O Corinthians não foi mal apenas contra o Juventude. Nos últimos dez jogos do Brasileirão, venceu apenas um. A estatística expõe que os problemas do time vão além da  “falta de pegada” diante de adversários menores ou da ausência de motivação em cenários menos vibrantes.

Ausência de padrão

Há quem acredite que os jogadores escolham em quais jogos se entregar mais, de acordo com a importância do adversário ou o clima da partida. Outros veem como crítico o fato de o time alternar padrões táticos de um jogo para outro. Mas, no fundo, essa suposta variação revela a maior deficiência: a ausência de um padrão tático capaz de garantir o mínimo de regularidade — independentemente de ganhar ou perder.

Dorival Júnior já teve tempo para definir um modelo de jogo. Teve semanas de treino durante o Mundial da Fifa, não está sobrecarregado por competições paralelas e ainda assim o Corinthians segue imprevisível — e não no bom sentido. Se houvesse um plano consolidado, assimilado por todos, até os desfalques pesariam menos. O que se vê, porém, é um time frequentemente perdido, desorientado, por vezes desinteressado e, acima de tudo, incapaz de encontrar respostas para os próprios problemas.

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Por isso, não dá para simplificar a derrota para o Juventude como um acidente de percurso causado apenas pelo desgaste contra o Palmeiras. A origem do fracasso é mais profunda. Está na necessidade urgente de o Corinthians reencontrar um rumo, definir uma identidade e mudar o mindset da equipe. Sem isso, o segundo turno corre o risco de repetir — ou até agravar — o roteiro melancólico do primeiro.

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