O primeiro movimento do último tango de Messi começou a ser entoado na noite desta terça-feira, em Kansas City, onde a Argentina derrotou a Argélia por 3 a 0 com um show particular do gênio da camisa 10. Se para 99% dos jogadores presentes nesta Copa o Mundial representa o ápice, o ponto máximo da curva de suas carreiras, para o craque argentino esta série de apresentações é o capítulo final da mais bela biografia produzida pelos gênios da bola contemporâneos.

Tudo sobre a Copa de 2026

Com tudo o que já fez com a bola nos pés, Messi, que completará 39 anos em 24 de junho, não precisa provar mais nada a ninguém. Mas ele parece disposto a deixar bem claro que está em outro patamar. E nada mais justo do que transformar a Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá em um palco particular para sua despedida em grande estilo.

Messi comemora o seu primeiro gol
Com recital de repertório variado de gols, Messi empilha recordes na vitória da Argentina sobre a Argélia / Afaseleccion

Depois desta turnê norte-americana, Messi deixará os gramados para entrar definitivamente na eternidade, ao lado de lendas como Maradona, Pelé, Garrincha, Di Stéfano, Cruyff e Beckenbauer. Como eles, passará a ocupar a galeria dos imortais, reverenciado como a lembrança permanente de um tempo que não volta mais.

Messi é um obstinado por títulos

Felizmente, ainda restam algumas partituras a serem executadas antes do último ato deste verdadeiro maestro da bola. E Messi ainda tem metas a alcançar. Quem sabe encerrar o ciclo com a honra de se tornar o maior goleador da história das Copas do Mundo? Por enquanto, ele já alcançou o recordista Miroslav Klose, com 16 gols. Para quem esteve no estádio ou acompanhou a partida pela televisão, a sensação foi a de estar testemunhando a história de um ser humano no exato momento em que se transforma em lenda.

Esse sentimento roubou boa parte das atenções na vitória da Argentina sobre a Argélia, em Kansas City. Havia expectativa pela estreia da atual campeã mundial, vencedora no Catar e novamente apontada como candidata ao título sob o comando de Lionel Scaloni. Mas o jogo acabou se transformando em mais um capítulo da despedida de Messi. Um show à parte do camisa 10, que saiu de campo aplaudido de pé!

O estádio viveu uma atmosfera que lembrava o Monumental de Núñez ou a Bombonera. Tomadas pelo azul e branco, as arquibancadas empurravam a seleção argentina em uma noite que parecia desenhada para seu maior ídolo.

Caminho do hat-trick

Logo aos quatro minutos, Messi colocou a bola na rede com um toque de classe. Mas o gol foi anulado por impedimento. Três minutos depois, foi a vez da Argélia balançar as redes em uma falha defensiva argentina. Novo impedimento. Dois gols anulados em sete minutos. Um início de partida frenético.

Mas aos 16 minutos não houve árbitro, VAR ou qualquer recurso capaz de interferir. Houve apenas Messi. Rodrigo De Paul encontrou o camisa 10 entre as linhas. O argentino recebeu, conduziu a bola colada ao pé esquerdo, avançou até a entrada da área e acertou um chute perfeito no ângulo de Luca Zidane, filho de outro gigante da história do futebol, Zinedine Zidane. Um gol com a assinatura de quem passou duas décadas transformando o extraordinário em rotina.

Era o 14º gol de Messi em Copas do Mundo. Pouco depois, o número já seria outro. Na corrida particular pela artilharia histórica dos Mundiais, o craque ultrapassou Gerd Müller e Kylian Mbappé, que têm 14, Ronaldo Fenômeno, que tem 15, e se igualou ao alemão Miroslav Klose, que tem 16. Mais do que isso: ampliou uma coleção de marcas que parece não ter fim.

Messi com o goleiro Luca Zidade ao fundo
Com o goleiro Luca Zidane, filho de Zinedine, Messi festeja o início do seu show particular na Copa do Mundo / Afaseleccion

Recordes e mais recordes

Se ainda persegue o posto de maior artilheiro da história das Copas, Messi já é o recordista absoluto em número de partidas disputadas em Mundiais: 27, em seis edições. Também se tornou o jogador com maior participação direta em gols na história da competição, superando até mesmo Pelé. São 16 gols e oito assistências, contra 12 gols e nove assistências do Rei.

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No segundo tempo, a estreia da campeã Argentina, que busca sua quarta estrela, virou uma festa particular de Messi. Aos 14 minutos, Mac Allister arriscou de fora da área. Luca Zidane falhou ao espalmar e a bola sobrou limpa para Messi. Sem força, sem pressa e sem nervosismo, ele apenas deu um toque de pé direito para empurrar a bola para as redes com a precisão de uma tacada de bilhar. Aos 30 minutos, o terceiro dele, um gol histórico! Messi recebeu de Nico González na entrada da área e entrou para a história. O último tango começou. Com um pequeno recital do gênio.

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