Atlanta – Até os 40 minutos do segundo tempo no Estádio Mercedes-Benz, a seleção da Argentina vivia um enredo dramático como um tango. Contra os arquirrivais ingleses, não apenas perdia o jogo, como, também, não levava sorte. Apesar de controlar a posse de bola e ter conseguido acuar a seleção da Inglaterra, Messi e seus companheiros esbarravam no goleiro Pickford ou nas traves. Isso até um passe de Lionel Messi encontrar o pé direito de Enzo Fernández, a cerca de 25 metros da meta inglesa.
Sem pensar duas vezes, Fernández acertou o melhor chute da sua vida: forte, preciso e sem defesa para Pickford, no canto superior direito. Quando viu a bola na rede, vibrou, alucinado: correu para a lateral do campo, levando as mãos às orelhas, na sua comemoração típica.

“Naquele instante, passaram muitas coisas pela minha cabeça”, disse ele, ainda emocionado com a sua proeza. “Ainda estou extasiado com a emoção que vivemos”.
O dono do meio-campo
Ao analisar a partida, Fernández fez questão de salientar a superioridade de sua equipe dentro de campo. “Taticamente, fomos melhores durante toda a partida e merecemos ganhar. A Inglaterra só teve uma chance”. Dono do meio-campo, Fernández deu 84 passes, 82 deles precisos. E cometeu três faltas em momentos em que os ingleses armaram contra-ataques.
Em 2022, no Qatar, quando Fernández tinha 22 anos e disputou o seu primeiro Mundial, ele já tinha se destacado. Foi um valioso coadjuvante de Lionel Messi, dando ritmo ao meio-campo da seleção albiceleste.
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Revelado pelo River Plate, naquela altura já tinha sido vendido ao Benfica, de Lisboa. Os portugueses pagaram cerca de R$ 60 milhões para contratá-lo. Cerca de seis meses depois, ele voltou a mudar de clube e de país. Agora, o valor de seu passe tinha subido para aproximadamente R$ 720 milhões. Ou doze vezes mais. Especula-se que o Manchester City estaria disposto a quebrar a banca para contar com o seu talento (e com um substituto à altura do português Bernardo Silva).
Apesar da vida longe da Argentina, o camisa 24 da seleção foi um dos que mais comemorou a vitória após o final do jogo, com uma bandeira que fazia alusão à Guerra das Malvinas. “Defendemos nosso país e queríamos vencer por todos os argentinos e, também, por aqueles que morreram naquela guerra”, disse Fernández. Nos próximos dias, ele se prepara para uma inesquecível final contra a Espanha, no Estádio MetLife, nos arredores de Nova York. Se sair vencedor, novamente, estará consagrado como um gigante em uma Argentina na qual há uma legião de enormes meio-campistas.





