Por Leonardo de Sá

A possibilidade de relativização do caso de racismo sofrido por Vini Jr. por Prestianni, em partida pela Champions League, é perigosa. Diante desse cenário, o treinador do Flamengo, Filipe Luís, veio a público por meio de uma nota esclarecer falas sobre a situação que envolveu o camisa 7 do Real Madrid. Isso ocorreu porque o técnico abordou o tema ao responder um repórter argentino na coletiva após a derrota para o Lanús, em partida pela Libertadores.

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O assunto é sério e uma resposta dúbia pode causar algo mais grave que um mal-entendido. De acordo com a nota do técnico, ele não teve a intenção de minimizar a atitude racista. Na coletiva anterior, Filipe Luís elogiou a Argentina e chamou o ocorrido de “caso isolado”. A repercussão motivou o esclarecimento oficial nesta sexta-feira, dia 20. Quase um pedido de desculpas do treinador brasileiro.

Em coletiva após derrota para o Lanús, Filipe Luís disse crer que a situação de Vini Jr. fosse um ‘caso isolado’ / Flamengo

Esclarecimento

Nesse sentido, Filipe Luís reconheceu que sua fala abriu margem para interpretações distintas pela sensibilidade do tema. Ele reforçou que sua posição é inegociável e classificou o racismo como um crime inaceitável. Dessa forma, o comandante do Flamengo destacou que o futebol não pode tolerar discriminação. O treinador lembrou também que já havia condenado o ato antes da partida, chamando a postura de Prestianni de “covarde”.

Além disso, o Flamengo manifestou apoio oficial ao atleta formado no Ninho do Urubu. A CBF fez o mesmo. O clube reforçou que a dor de Vinícius Júnior não pode ser normalizada e que ele não está sozinho. Filipe Luís reiterou que o racismo deveria ter o mesmo rigor de punição em todos os países. O técnico lamentou que episódios assim ainda se repitam e, muitas vezes, terminem sem a devida sanção.

Entenda o caso

O caso que gerou o debate aconteceu na última terça-feira, dia 17, em Lisboa. Durante o duelo entre Benfica e Real Madrid, o árbitro acionou o protocolo antirracismo. A confusão começou logo após o gol da vitória merengue, quando Vini Jr. relatou ofensas diretas de Prestianni. O jogo parou por oito minutos e exigiu a intervenção do técnico José Mourinho para conter os ânimos.

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Vale ressaltar que as autoridades europeias continuam analisando o episódio. Filipe Luís agora tenta encerrar o ruído sobre sua declaração para focar no ambiente interno do Flamengo. O objetivo do treinador é garantir que o foco da equipe permaneça nos desafios da Libertadores e da temporada de 2026. O técnico reafirmou que jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como este.

Confira a nota de Filipe Luís

Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.

Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.

Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.

Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse. Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune.

Filipe Luís
Técnico do Clube de Regatas do Flamengo

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