O Red Bull Bragantino ainda pode recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que puniu Gustavo Marques pelas falas machistas direcionadas à árbitra Daiane Muniz. Se o time fizer isso, pode colocar em xeque toda a credibilidade e os elogios recebidos pela punição de 50% do salário aplicada ao zagueiro. O valor foi revertido para a ONG Rendar, projeto que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade em Bragança Paulista.
Embora tenha sido rápido em repudiar a conduta do atleta, o clube agora vive um dilema interno entre a ética e o desfalque técnico dentro de campo. O zagueiro foi condenado pelo TJD-SP e terá de pagar uma multa de R$ 30 mil, além de 12 partidas de suspensão, válidas exclusivamente para jogos organizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Peso da lei
Gustavo Marques foi enquadrado em dois artigos do CBJD, ambos relacionados à prática de atos discriminatórios e ofensas à honra. O artigo 243-G rendeu oito jogos de suspensão, enquanto o 243-F somou mais quatro partidas de gancho ao histórico do defensor. A condenação é um reflexo direto do rigor que a Justiça desportiva busca imprimir em casos de preconceito de gênero. Contudo, a diretoria do Bragantino ainda não bateu o martelo sobre a contestação da pena.
Recorrer da sentença pode soar como uma tentativa de “passar o pano” para uma conduta que o próprio clube chamou de inaceitável. Na época do ocorrido, o Bragantino afirmou em nota oficial que não compactua e repudia o machismo. Caso decida lutar pela redução da pena, a instituição corre o risco de desidratar o impacto da punição financeira aplicada anteriormente. A coerência administrativa é o que está em jogo neste momento de definição jurídica.
Relembre o caso
O episódio aconteceu após a derrota do Bragantino para o São Paulo. Na saída de campo, Gustavo Marques afirmou que uma mulher não teria capacidade para apitar jogos de tamanha expressão. Ele alegou que a equipe foi prejudicada pela arbitragem de Daiane Muniz e sugeriu que a FPF não deveria escalar mulheres para confrontos entre “times grandes”. As declarações geraram uma onda imediata de críticas e indignação no cenário esportivo.
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Mesmo pedindo desculpas minutos depois, alegando estar de “cabeça quente”, o dano à imagem da arbitragem e das mulheres já estava consolidado. O zagueiro tentou se justificar citando o respeito pela mãe e pela mulher, mas a ofensa à honra da profissional do apito foi o que pautou o julgamento. Agora, o Bragantino precisa decidir se sustenta o discurso de reprovação ou se prioriza os próprios interesses.





