Quando o treinador tem mais jogadores do que vaga para uma Copa do Mundo, ele deve adotar alguns critérios para fazer os cortes. Carlo Ancelotti nunca teve essa experiência porque comanda uma seleção pela primeira vez. E logo a brasileira, que, segundo ele, há uns 70 atletas selecionáveis. Mas ele sabe como funciona o vestiário para suas escolhas entre os 11. O que tem de fazer agora é esticar esses 11 que fazia, por exemplo, no Real Madrid, para 26 no Brasil. Simples assim. Todo período junto, treino e jogo servem para fazer essas avaliações.
De ponto de vista, alguns jogadores chamados para esses dois amistosos na Ásia não foram bem e podem ter pedido a chance de disputar uma Copa do Mundo. É natural. Na minha lista, foram “reprovados” os seguintes atletas: Fabrício Bruno, Hugo Souza, Joelinton, Beraldo, Carlos Augusto e Richarlison. Isso não quer dizer que eles estejam fora. Quem decide é Carlo Ancelotti, com suas convicções e ideias de jogo. Há lesões que podem tirar jogadores da lista final.

Então, com 70 jogadores em condições de disputar uma Copa, qualquer falha ou oportunidade desperdiçada pode significar a nota de corte. É do jogo. E como disse o próprio zagueiro Fabrício Bruno, falhas pontuais não podem rotular a carreira de um jogador. O atleta do Cruzeiro é um dos melhores do Brasil nesta temporada. Mas falhou e pode ter perdido a chance. Da mesma forma, o goleiro Hugo não mostrou que deve fazer parte da seleção numa Copa. O fato de pegar pênaltis não é a única qualidade para levá-lo aos Estados Unidos.
Hugo e Fabrício Bruno
Os dois estavam na boca para entrar no grupo. Mas não estão mais. A Copa tem oito partidas até a decisão. Não há margem para erro ou fase ruim. É preciso ter personalidade para jogar na seleção. Por muitos anos, o torcedor brasileiro defendeu a presença de “qualquer um” no time. Bastava o jogador fazer alguma coisa relevante no seu clube. Não é mais assim. Ou não deve ser. Nem Neymar tem mais essa moleza. Imagine os outros. Sou do tempo em que vestir a camisa da seleção era algo impossível para a maioria dos jogadores. Por muito tempo foi assim. Mas ultimamente parecia fácil chegar lá.
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Essa peneira de Ancelotti tem buracos pequenos, de modo a não deixar passar qualquer jogador ou jogador bom do clube. A seleção exige mais do que isso. Ancelotti tem a responsabilidade de formar o melhor elenco do Brasil para a Copa do Mundo. Para isso, ele terá de reprovar muitos atletas. E tudo bem.





