Enquanto o projeto da nova Vila Belmiro com a WTorre segue sem prazo para sair do papel, o Santos decidiu olhar para a casa que já tem. O clube acelerou a reforma do estádio Urbano Caldeira e trabalha em um projeto de modernização que pode chegar a R$ 70 milhões, com novas arquibancadas, 80 camarotes, área comercial para café e restaurantes e melhorias gerais em toda a sua estrutura. A previsão é concluir o retrofit até março de 2027, embora algumas etapas estejam programadas para terminar ainda neste ano.
A principal mudança está na arquibancada, tradicional setor ocupado pelas torcidas organizadas atrás do gol. O Santos rebaixou a estrutura até próximo do nível do campo e ampliou os degraus para aumentar a capacidade. O espaço, que comportava pouco mais de 3,1 mil pessoas, deverá receber cerca de 5 mil torcedores depois da conclusão dos trabalhos. A ideia do clube é recuperar a sensação de proximidade entre arquibancada e gramado e aumentar a pressão sobre os adversários. A Vila Belmiro vai dobrar de tamanho e triplicar a sua receita anual com o programa de sócio-torcedor e dia de jogo.

A reforma, porém, não ficará restrita às arquibancadas do estádio. O projeto prevê 80 camarotes, além de alterações nas cadeiras cativas, novos acessos, elevadores, bilheteria e melhorias nos banheiros. Também estão previstas uma praça de alimentação com espaço para restaurantes, lojas, um novo bar na área do Salão de Mármore, além da mudança da loja do Santos e do Memorial de Conquistas, que deverá ganhar um percurso mais amplo pelo estádio.
25 mil lugares
A capacidade total da Vila deverá subir para 25 mil lugares, o que aumentará a renda dos jogos. O número ainda depende da conclusão de todas as etapas e das liberações necessárias. O Santos também já realizou intervenções no setor visitante, que passou a ter 1.400 lugares, e prepara mudanças em outras áreas laterais do estádio. A estratégia é fazer com que a Vila gere mais receita com ingressos, hospitalidade, camarotes, alimentação e eventos. O clube ganha R$ 35 milhões anuais com bilheteria e matchday. Com o estádio reformado, a previsão é chegar a R$ 114 milhões. Só com o sócio-torcedor, o clube salta de R$ 24 milhões/ano para R$ 60 milhões.
O financiamento da reforma revela a tentativa de o Santos transformar o estádio em uma fonte melhor de receita. O Santos vai pedir dinheiro emprestado por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 100 milhões, embora a previsão de gasto com a obra seja de R$ 70 milhões. O pagamento do financiamento deverá ocorrer em um período de 24 a 36 meses, utilizando receitas futuras dos camarotes e parte da arrecadação de ingressos. É dinheiro que o Santos não tem, mas espera ter.
Projeto WTorre pode ser esquecido
A modernização acontece em um momento de indefinição sobre a nova arena. As negociações com a WTorre estão suspensas desde abril, depois de anos de discussões e quando o contrato já estava próximo de uma assinatura. O projeto da nova Vila prevê um estádio para cerca de 30 mil pessoas, mas ainda depende de novas etapas de negociação e captação de recursos. Enquanto isso, o Santos optou por investir na estrutura existente para não esperar pelo futuro. A reforma em marcha no estádio pode fazer naufragar o projeto grandioso do Santos com a WTorre.
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A Vila, portanto, vive uma espécie de transição. O estádio histórico do Santos não está sendo apenas reformado para receber melhor o torcedor, mas também para tentar aumentar sua capacidade de gerar dinheiro. A aposta é transformar espaços antes subutilizados em novas receitas e fazer da velha Vila, onde Pelé brilhou, um ativo mais eficiente enquanto a nova arena continua sendo uma promessa sem data. O Santos decidiu que, enquanto a nova casa não vem, é preciso fazer a atual render mais.





