Por Matheus Trunk
Parte do Centro de Treinamento Rei Pelé está ganhando um novo visual. E controverso. O campo 1 do Santos está recebendo grama sintética para os treinamentos das divisões de base e dos times profissionais feminino e masculino. A empresa contratada é a Soccer Grass, a mesma que trabalha no Allianz Parque. A previsão é que a troca de grama esteja concluída em fevereiro. É certo que Neymar não treine neste piso. Ele foi um dos jogadores que condenaram o chamado “gramado de plástico”.
A diretoria do Santos defende que o campo artificial resulta em maior bem-estar dos atletas. A tecnologia possui amortecimento, diminuindo as lesões dos jogadores. Outro argumento defendido pelo clube diz respeito à parte econômico. A grama sintética possui maior durabilidade e menor manutenção. Ou seja: é muito mais fácil cuidar dela do que de um campo de grama natural.

“Essa atualização coloca nossos atletas em um ambiente de treinamento de nível internacional e mostra nosso compromisso em oferecer as melhores condições possíveis para a equipe”, garante Marcelo Teixeira, presidente do Santos. O projeto é que se a implantação der certo, todos os campos do CT Rei Pelé receberão a tecnologia. Neymar não comentou sobre a decisão do dirigente.
Mesma grama do Allianz Parque
Mas a tecnologia entra em rota de colisão com um dos protagonistas do time. O atacante Neymar é um declarado antagonista do gramado sintético. Declarado. O camisa 10 da Vila criticou diversas vezes o Allianz Parque, casa do Palmeiras, que conta com o campo artificial. Neymar ainda não renovou o seu contrato, mas o gerente de futebol Alexandre Mattos diz que o acerto está encaminhado até junho do ano que vem.
Cruzada de Neymar
Em agosto, nem faz muito tempo, o jogador foi enfático no seu posicionamento contrário a atuar no estádio do Palmeiras por causa do piso. “Jogar no Allianz, para mim, é impossível. Jogar em society é algo que incomoda qualquer jogador, independentemente das lesões. O Morumbi é muito bom e me sinto melhor. Me sinto bem nesse campo.”

Mas não ficou apenas nisso. Em setembro, Neymar também criticou a Arena MRV, casa do Atlético-MG, que utiliza o mesmo sintético. Além de Palmeiras e Atlético, mais três times que irão disputar o Brasileirão 2026 possuem estádios com essa grama: Athletico Paranaense (Arena da Baixada), Botafogo (Engenhão) e Chapecoense (Arena Condá). O CT Rei Pelé, por ora, tem outros campos com grama natural. Antes da Copa do Mundo, o Santos não vai mudar todos os gramados do local. Depois do Mundial, Neymar pode não estar mais no elenco.





