O Santos voltou a chamar atenção no mercado da bola. Depois de conseguir derrubar o transfer ban, o clube retomou as contratações e passou a se movimentar para reforçar o elenco com contratações que não pode fazer. Ou não poderia financeiramente. O problema é que a volta às compras acontece em um momento em que as contas do clube ainda estão longe de uma situação confortável. Há dívidas e salários atrasados. Mesmo assim, a farra das contratações na Vila corre solta. O torcedor sabe disso, mas quer ver o time ganhar jogos e escapar do rebaixamento. Mas a que preço?

Mais sobre o Santos

Um dos principais pontos no clube é a dívida com Neymar. O Santos tem um débito que gira em torno de R$ 90 milhões com o atacante, enquanto o próprio jogador desembolsou R$ 12 milhões, por meio de suas empresas, para quitar o transfer ban da Fifa, o que impedia o Santos de se reforçar. Cuca, mesmo sabendo da falta de dinheiro, pedia reforços em todas as suas entrevistas. O clube está ingovernável. Não se sabe mais quem manda no Santos, se o presidente Marcelo Teixeira ou a família de Neymar.

Marcelo Teixeira tem sido bastante questionado após a dívida do Santos com a NR Sports e com Neymar / Santos

A partir daí do transfer ban derrubado, o Santos voltou a contratar. O clube encontrou recursos para investir em novos jogadores caros enquanto ainda precisa lidar com compromissos financeiros importantes e com reclamações relacionadas à falta de pagamento dos salários ao elenco. Tiquinho deixou o Santos e relatou problemas envolvendo atrasos. Zé Rafael também saiu da Vila em meio a queixas relacionadas à regularidade dos salários. São situações que colocam em discussão a capacidade da administração santista de honrar os seus compromissos básicos antes de assumir novas despesas.

Salários atrasados, mas comprando

Mesmo diante desse cenário, Marcelo Teixeira e Alexandre Mattos, o seu executivo do futebol, se lançaram ao mercado nesta janela. O Santos contratou Arthur por valores que superam R$ 1,2 milhão por mês de salário e luvas e também passou a negociar a possibilidade de contar com Filipe Coutinho. Trouxe ainda Cebolinha do Flamengo, cujo salário também está na casa do milhão de reais por mês. São movimentos que mostram uma clara intenção de aumentar a qualidade do elenco e buscar uma resposta rápida dentro de campo. Mas que endividam o clube mais ainda. Não há como pagar Neymar, Gabigol, Arthur, Cebolinha e Coutinho, se ele vier. Nem os outros jogadores.

A pergunta, portanto, não é se o Santos precisa de reforços. É evidente que precisa. A questão é outra: de onde está vindo o dinheiro para bancar essas contratações e, principalmente, como o clube pretende pagar essas contas daqui para frente?

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O futebol brasileiro já mostrou diversas vezes que montar um elenco caro pode produzir resultados dentro de campo, mas também pode aprofundar problemas financeiros quando não existe planejamento. E não há planejamento no Santos. A situação chama ainda mais atenção porque o clube acabou de sair de um transfer ban e continua convivendo com dívidas expressivas. O Santos precisa voltar a ser competitivo, mas precisa voltar a ser financeiramente responsável. Contratar sem dinheiro, enquanto existem dívidas e relatos de atrasos, pode até produzir esperança para o torcedor no curto prazo. O verdadeiro desafio, porém, será mostrar que essa política não vai sujar o nome do clube na praça.

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