O São Paulo aguentou o quanto pôde a pressão da Bombonera, mas saiu derrotado. O 1 a 0 para o Boca Juniors, nesta terça-feira, colocou o time argentino em vantagem nas quartas de final da Copa Sul-Americana, porém deixou para o Morumbis uma decisão ao alcance para uma virada do Tricolor. Na etapa final, Merentiel marcou o único gol da partida, aos sete minutos, e determinou o tamanho do desafio que espera a equipe de Dorival Júnior na próxima semana.
Na terça-feira, dia 15, às 21h30 (horário de Brasília), o São Paulo precisa vencer por dois gols de diferença para avançar à semifinal no tempo normal. No caso de uma vitória por um gol leva a definição para os pênaltis. Empate ou nova derrota classifica o Boca. Não existe o critério de desempate com o gol anotado fora de casa e, em caso de igualdade no placar agregado depois dos 180 minutos, a vaga será decidida nas cobranças.

São Paulo suporta a pressão
Com esse cenário que entra o principal patrimônio que o São Paulo conseguiu preservar em Buenos Aires: a eliminatória continua viva. O resultado não era o desejado, afinal o Tricolor mostrou durante boa parte da partida que poderia ter saído da Argentina com algo melhor. Dorival manteve o sistema com três zagueiros — Domingos Duarte, Arboleda e Sabino — e apostou na volta de Calleri entre os titulares. O plano inicial passou por não se deixar engolir pela pressão da Bombonera e, sempre que possível, adiantar a marcação para dificultar a saída argentina.
Funcionou no primeiro tempo. O Boca Juniors teve mais a bola em alguns períodos, mas encontrou dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades claras. Já o São Paulo conseguiu ameaçar Álvaro Montero. Aos 18 minutos, Iago Borduchi cruzou da esquerda e Luciano cabeceou para boa defesa do goleiro colombiano. Mais tarde, em outro lance pelo lado esquerdo, Iago Borduchi acionou Calleri dentro da área, mas o argentino finalizou para fora.
Era uma atuação competitiva. Sem brilhantismo, mas também sem atuar retraído que tantas vezes transforma uma visita à Bombonera em exercício permanente de sobrevivência. O São Paulo conseguia disputar o meio-campo, fechar os espaços de Leandro Paredes e limitar o Boca a tentativas pouco produtivas. O problema apareceu quando a partida exigia máxima concentração depois do intervalo.
Merentiel encontra o espaço
Na etapa final, um descuido foi fatal. Aos sete minutos do segundo tempo, Lautaro Blanco avançou pelo lado esquerdo e a jogada encontrou Merentiel dentro da área. Rafael ainda conseguiu defender a primeira finalização, mas o uruguaio ficou com o rebote e marcou. Foi o lance que mudou a partida — e também toda a estratégia da eliminatória.
O gol obrigou o São Paulo a abandonar parte da cautela. Domingos Duarte apareceu no ataque e levou perigo, Calleri também teve oportunidade pelo alto e Dorival tentou dar novo fôlego ao setor ofensivo com Gustavo Santana, Ferreira e Danielzinho. A resposta, porém, não teve a mesma eficiência demonstrada pelo Boca na oportunidade que recebeu. O time paulista encontrou dificuldades para acelerar a circulação da bola e transformar a presença ofensiva em pressão contínua.
A partida ainda ganhou um momento de tensão quando o árbitro chileno Piero Maza mostrou cartão vermelho para Domingos Duarte após uma dividida com Paredes. Chamado pelo VAR, comandado por Fernando Vejar, Maza reviu o lance e anulou a expulsão. O São Paulo escapou, assim, de enfrentar o trecho final em inferioridade numérica.
Nos minutos finais, o Tricolor tentou evitar que o resultado se tornasse mais pesado e ao mesmo tempo buscar o empate. Não conseguiu marcar, mas também impediu que o Boca construísse uma vantagem mais confortável para a viagem ao Brasil. E isso importa muito.

Fator Morumbis
Se a Bombonera representava o maior obstáculo deste primeiro capítulo, o São Paulo agora coloca suas fichas onde começou a recuperar a confiança perdida nas últimas semanas: o Morumbis. Foi em casa que o time venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 1 e, depois, o Atlético-MG por 2 a 0, encerrando uma sequência de dez partidas sem vitória no Brasileirão e afastando parte da enorme pressão que cercava Dorival e seus jogadores.
A Sul-Americana também oferece um precedente interessante. Em 2007, no último mata-mata entre os clubes antes deste reencontro, o Boca venceu a primeira partida na Bombonera por 2 a 1. No Morumbi, o São Paulo respondeu com 1 a 0 e avançou, pois naquela época beneficiado pela regra do gol fora de casa. Desta vez, o mesmo 1 a 0 levaria a disputa aos pênaltis.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Dezenove anos depois, a história oferece uma coincidência, não uma garantia. O São Paulo sai da Argentina atrás no placar e sabendo que terá de produzir mais ofensivamente na volta. Mas a derrota mínima preservou aquilo que parecia fundamental antes da viagem: chegar ao Morumbis ainda dependendo apenas de si. Depois de duas vitórias que devolveram confiança ao time no Brasileiro, a próxima terça-feira vai mostrar se o fator casa também será capaz de recolocar o São Paulo entre os quatro melhores de uma competição continental.





