Coronel; Igor Felisberto, Dória, Osório e Enzo Díaz; Luan, Djhordney e Cauly; Ferreirinha, Tapia e André Silva.

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A escalação que o São Paulo mandou a campo para o confronto com o O’Higgins Fútbol Club não deixou dúvidas: o time entrou com a chuteira no gramado do estádio Estadio El Teniente, em Rancagua, mas com a cabeça em Itaquera, onde domingo tem clássico contra o arquirrival Corinthians pelo Brasileirão.

Time reserva do São Paulo segurou o O’Higgins, do Chile e levou mais um ponto na Copa Sul-Americana / São Paulo

Ao se ver diante dessa encruzilhada, o técnico Roger Machado não teve dúvida — nem vergonha — de poupar seus principais jogadores para o duelo doméstico. Assumiu conscientemente o risco de um tropeço na Sul-Americana para chegar inteiro no domingo, num jogo que certamente será decisivo dentro do já pesado pacote de avaliações sobre o seu trabalho. Roger sabe que vive permanentemente na corda bamba. E também sabe que uma derrota em Itaquera tornaria ainda mais tóxico um ambiente que já parece injustamente contaminado pela dificuldade de parte da torcida em aceitar a saída de Hernán Crespo.

Por isso a opção clara pelo time alternativo no Chile. A situação do treinador é tão delicada que qualquer vacilo parece ganhar proporções exageradas. E, dentro dessa lógica, perder para o O’Higgins seria um dano menor do que cair diante do Corinthians no clássico de domingo.

Faltou pouco…

No fim das contas, o primeiro passo da estratégia não foi de todo ruim. O empate manteve o Tricolor na liderança do grupo, agora com oito pontos, um à frente justamente do próprio O’Higgins e do Millonarios. E ainda restam mais dois jogos no Morumbis, cenário que amplia bastante as chances de classificação em primeiro lugar da chave e a consequente classificação para a fase de mata-mata.

Mas dava para ganhar. Especialmente se o São Paulo tivesse jogado com mais intensidade, mais concentração e um pouco mais de ambição. Não faltou entrega física. Faltou inspiração. Sobretudo numa primeira etapa sofrível.

O São Paulo chegou ao Chile invicto há quatro partidas, mas carregando também o peso de dois empates consecutivos. Líder do Grupo C com sete pontos antes da rodada, o time podia encaminhar a classificação caso vencesse os chilenos, vice-líderes com seis.

Do outro lado havia um adversário em crescimento. O O’Higgins atravessa bom momento na temporada chilena, vinha de três vitórias e um empate nos últimos quatro jogos e tinha como única derrota recente justamente o 2 a 0 sofrido para o São Paulo no Morumbis, no turno da competição. No Campeonato Chileno, a equipe já aparece entre os primeiros colocados.

Sequência complicada

Além da disputa pela liderança, a partida ainda abria uma sequência especialmente indigesta para o Tricolor: quatro jogos consecutivos longe de casa. Depois do Chile, o clássico em Itaquera no domingo de Dia das Mães e, na sequência, compromissos contra Juventude e Fluminense. Um roteiro que ajuda a explicar por que Roger resolveu pensar mais adiante.

E o jogo, honestamente, quase não ofereceu argumentos para contestar essa escolha.

A primeira etapa foi sonolenta, burocrática, preguiçosa. Zero emoção. O O’Higgins começou com mais posse de bola, enquanto o São Paulo marcava sem pressão. Depois dos 15 minutos, o time brasileiro até tentou assumir o controle, mas esbarrou na própria falta de criatividade. Ferreirinha foi quem mais tentou algo diferente, embora tenha desperdiçado três finalizações.

Esperava-se muito mais do segundo tempo. E o primeiro lance após o intervalo trouxe a falsa impressão de que o jogo finalmente acordaria. Sarrafiore acertou o travessão de Coronel e assustou o São Paulo. O lance serviu como alerta: ou o time aumentava sua dedicação competitiva ou sairia do Chile derrotado e sem a liderança do grupo.

Alterações

A melhor oportunidade do jogo apareceu aos 13 minutos. André Silva puxou contra-ataque pela direita e cruzou rasteiro na medida para Tapia, que se atirou na bola dentro da área. A conclusão tinha endereço certo, mas Carabalí operou um milagre com as pernas.

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Percebendo que o empate começava a ficar perigoso demais, Roger Machado tentou tornar o time mais competitivo antes da parada para hidratação. Danielzinho entrou na vaga do garoto Djhordney e Artur substituiu Ferreirinha. Dava para ganhar, mas seria preciso ter mais coragem, se expor um pouco mais, abandonar a postura excessivamente cautelosa.

Só que, aos 26 minutos, quem voltou a ficar perto do gol foi o O’Higgins. Numa falha do jovem Osório, González saiu cara a cara com Coronel e bateu cruzado. O goleiro salvou o São Paulo e, talvez, salvou também a estratégia de Roger Machado.

Porque o empate no Chile não empolga ninguém. Mas também não destrói nada. E, neste momento, para um técnico que parece lutar diariamente pela própria sobrevivência, evitar o desastre talvez já seja suficiente.

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