Boston — O confronto entre França e Noruega, que parecia ser um dos grandes duelos da fase de grupos do Mundial de 2026, perdeu um pouco da graça assim que os times entraram no Estádio de Boston. De olho nos mata-matas, o técnico Stale Solbakken decidiu escalar um time B da Noruega, sem seus titulares, entre eles Haaland, Odegaard e Sorloth. E, com isso, os nórdicos não foram páreo para a França, equipe de Didier Deschamps, comandada à beira do campo por Guy Stéphan, que veio com boa parte de sua força total.
Logo de cara, deu para ver que os franceses tinham caminho aberto para atropelarem seus badalados adversários. Mal tinha passado um minuto de jogo, Mbappé acertou uma bomba no travessão de Selvik, o goleiro reserva. Aos 7, no entanto, Dembélé não perdoou. A cerca de 35 metros do gol, ele recebeu um passe de Mbappé, driblou o zagueiro Bjorkan e marcou um golaço. Em desvantagem no marcador, a Noruega começou a deixar cada vez mais espaços na sua defesa. E, aos 20 minutos, foi a vez de Dembélé driblar o pobre Bjorkan e marcar com um chute cruzado, com sua perna esquerda.

Dembélé rouba cena
Cabiam mais gols franceses. Porém, contra todas as expectativas, foram os noruegueses que chegaram lá. Logo após ser dada a saída, o meia Thelo Aasgaard partiu para o ataque, até que resolveu mandar um chute de esquerda, sem defesa para o goleiro Maignan. E, quando parecia que a Noruega voltaria com sua força redobrada, disposta a buscar o empate, foram os franceses que marcaram o terceiro gol, com Dembélé, de pé esquerdo. Para se ter uma ideia da façanha, não se via um hat-trick tão cedo desde Erich Probst, na Copa do Mundo de 1954.
Sem muito mais a perder, os nórdicos começaram o segundo tempo partindo para o ataque. E, logo na sua primeira investida, no segundo tempo, o lateral Theo Hernández fez um pênalti bobo em Oscar Bobb. O problema para os noruegueses é que, apesar de ser atacante, Jorgen Strand bateu muito mal. Facilitou a vida do goleiro Mike Maignan, que adivinhou o canto certo, saltou e defendeu a cobrança. No fim das contas, todo mundo saiu de Boston satisfeito.
França cumpre a missão
Do lado francês, Didier Deschamps e seu adjunto, Guy Stéphan, igualaram uma marca de 1998, na campanha do primeiro título mundial da Fifa, conquistado pelos Bleus: foi a última vez que venceram as três partidas da fase de grupos em uma Copa do Mundo.
Mesmo derrotado, Solbakken pôde descansar seus titulares. “Temos um dia a menos de descanso do que nosso adversário na próxima fase”, disse ele, respondendo a uma pergunta do The Football, durante a sua entrevista coletiva, no estádio nos arredores de Boston. “O que nos interessava era a recuperação de jogadores com os quais contamos para o mata-mata contra a Costa do Marfim, não uma exibição sem compromisso.”
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Com um dia a menos de descanso do que a Costa do Marfim, a sua prioridade não foi medir forças com a França: foi ter uma equipe mais descansada para a 16 avos de final. Entendendo a estratégia, mesmo com a derrota, os torcedores noruegueses não ficaram nada chateados. Fizeram a maior festa nas arquibancadas, com direito à coreografia dos remadores de barcos vikings, mesmo após Désiré Doué marcar o gol que definiu o marcador em 4 a 1 para a França. Depois de 28 anos ausentes das fases finais dos Mundiais da Fifa, os vikings estão de olho em coisa maior neste campeonato. E o Brasil pode entrar no caminho deles, se eliminar o Japão e a Noruega despachar a Costa do Marfim.





