O primeiro gol de Messi contra a Áustria é uma aula. À primeira vista, pode parecer que está na função de falso 9, mas ele vem tão de trás, tão de trás, que convém examinar com uma lupa essa jogada. Messi é o mais livre do sistema tático de Lionel Scaloni, quando a Argentina se defende. Todo o time trabalha para ele ter conforto e fugir dos duelos mais pesados.

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Quando tem a bola, a Argentina ataca no 3-2-5, quase regra nesta Copa do Mundo.
Mas Messi não está na linha de cinco atacantes, como é fácil deduzir. Scaloni escala assim o seu 3-2-5: Romero, Lisandro e MacAllister; Molina e Messi; De Paul, Lisandro Martínez, Almada, Enzo Fernández e Medina.

No esquema de cinco atacantes de Scaloni, Messi não atua na linha, mas vem de trás, de frente para o gol / Argentina

Tática não é estática e a gente (não) vai se cansar de ver Messi entrando na área para decidir jogos. Mas seu lugar é longe da pancadaria dos zagueiros adversários. Ele ocupa a chamada zona morta do campo, sem ser notado como um meia-armador, bem atrás dos que de fato atacam a área dos adversários. É preciso entender isso para também entender Messi. Não é tão fácil notar isto nem é tão simples marcá-lo.

Como parar o craque?

O primeiro passo para saber se é possível marcar o melhor jogador do século 21 é definir um marcador no meio-de-campo. Se houver um Brasil x Argentina na semifinal, é bem provável ter Danilo ou Bruno Guimarães a persegui-lo. O marcador precisa ser rápido e inteligente. Difícil pensar que Casemiro tenha, hoje, esta condição.

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Messi está no contrafluxo. Quando todo mundo corre para trás para marcar, ele fica na frente, livre. Quando os cinco avantes invadem a área, ele sai dele. Messi busca o espaço vazio. É o ponteiro das horas. É quem diz em que momento o jogo está e em que momento tudo vai mudar.

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