No futebol, há vitórias que refletem o retrato de um bom desempenho e outras que se constroem a partir de estratégia. Mesmo que o time não jogue bem, não domine o adversário e viva de lampejos, o que realmente conta é a eficiência de um plano de jogo bem executado. O 2 a 0 do São Paulo sobre o Fortaleza, na noite desta quinta-feira, no Castelão, se encaixa perfeitamente nessa segunda variável.
Mérito do trabalho de Hernán Crespo, que conduz um elenco marcado por turbulências dentro e fora de campo ao longo do ano, fazendo o que pode. Se ainda restava alguma dúvida sobre sua fidelidade, quase obsessão, ao sistema 3-5-2, o jogo no Ceará sepultou qualquer hipótese em contrário. Mesmo com apenas um zagueiro de ofício à disposição (Sabino), o treinador encontrou uma saída: armou sua linha de três com duas improvisações. Os volantes Negruci, que já havia atuado algumas vezes na defesa nas categorias de base, e Luiz Gustavo, escalado com dupla função — proteger a cabeça de área e qualificar a saída de bola tricolor.

Diante de um Fortaleza fragilizado, mas ainda ameaçador pela luta contra o rebaixamento, Crespo foi à luta abraçado às próprias convicções. Segurou a pressão do time da casa e ainda poupou titulares pensando no clássico com o Palmeiras no fim de semana.
São Paulo sonha com a Libertadores
No fim, deu tudo certo. O Tricolor venceu por 2 a 0, encerrou um tabu de cinco anos sem bater o Fortaleza e, de quebra, freou a sequência de maus resultados que já causava burburinho nos bastidores. O Brasileirão é, agora, sua última cartada para salvar a temporada. Se não der para sonhar com o título, ao menos vale brigar por uma vaga na próxima Libertadores.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok
Não foi uma exibição para encher os olhos, mas o time soube decidir nas poucas chances criadas. O primeiro gol saiu logo aos 10 minutos, com Tapia aproveitando passe lateral de Rigoni. O segundo, já perto do fim, foi uma aula de contra-ataque: arrancada de Enzo, assistência açucarada e precisa para Luciano, que só empurrou para o fundo da rede e decretou a vitória.
Rigoni expulso
Detalhe importante: o São Paulo jogou com um a menos desde a metade do primeiro tempo, quando Rigoni foi expulso após uma solada em Deyverson, flagrada pelo VAR. Ainda assim, o Fortaleza, dono da bola e do volume de jogo, foi incapaz de transformar a posse em perigo real. Reflexo de sua dura realidade: vice-lanterna do campeonato, com apenas 21 pontos em 25 rodadas. Depois de anos como protagonista na elite, o Leão perdeu a força e parece apontar, sem freio, para a Série B em 2026. A torcida já entrou no modo desespero e vaiou o time mais uma vez sem piedade.





