O Vasco começa a olhar para o mercado com uma possibilidade que mexe com o imaginário do torcedor, mas também com a calculadora. O clube fez uma consulta pelo atacante Richarlison, atualmente no Tottenham, e busca entender se existe alguma possibilidade de trazer o jogador para o futebol brasileiro até dezembro. O problema está na operação financeira: o salário do brasileiro é estimado em R$ 2,9 milhões por mês. É muito dinheiro e o clube do Rio não tem condições de pagar.
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A conta assusta. Se o Vasco tivesse de assumir sozinho os vencimentos de Richarlison, seriam R$ 11,6 milhões até o fim desta temporada. Até a janela de julho de 2027, o custo iria para R$ 29 milhões. É um valor que muda a dimensão da negociação e exige uma engenharia financeira diferente de uma contratação convencional. Para o negócio avançar, uma divisão dos salários com o Tottenham seria indispensável. Há ainda outro “bônus” ao Vasco: Richarlison aceita ganhar menos.

O interesse vascaíno acontece em um momento favorável para quem pretende negociar com o clube inglês. Richarlison perdeu espaço no Tottenham e não está inscrito na Premier League. Ele está em baixa e o clube inglês quer se livrar dele. O atacante buscava uma alternativa para deixar Londres, mas as negociações com outros clubes não avançaram. Ele se aproximou do Everton, seu ex-time, mas as negociações não andaram. Nesse cenário, o Brasil passa a ser uma possibilidade real para o jogador. Os prazos das grandes ligas estão acabando. E o fato de Richarlison estar em baixa na Europa, o deixa fora das listas de reforços.
Richarlison aceita jogar no Vasco
O Vasco conta com o interesse do jogador para voltar ao Brasil e defender o clube da sua avó, mas uma transação desse tamanho não se desenha apenas por isso. O clube brasileiro, cuja SAF está trocando de mãos e passando a ser gerida pela família Lamacchia, da Crefisa, precisa saber quanto o Tottenham estaria disposto a bancar. Geralmente, essas negociações ficam no 50% para cada lado. Um empréstimo com os ingleses pagando uma parte relevante dos salários poderia transformar a operação em algo negociável. O fato de Richarlison querer voltar ajuda. Quanto maior for a participação do Tottenham no salário do jogador, maior será a possibilidade de o Vasco avançar.
Richarlison seria uma contratação de impacto dentro e fora de campo em São Januário. Aos 29 anos, o atacante ainda carrega o peso de ter sido jogador da seleção brasileira e chegaria ao Brasil como uma das maiores contratações da temporada. Além da questão esportiva, existe o potencial comercial: camisa, exposição, patrocinadores, mídia e aumento da atenção sobre o Vasco.
Vasco não tem dinheiro
Ocorre que o futebol brasileiro já mostrou que grandes nomes podem virar grandes problemas quando a conta não fecha. O Vasco não pode transformar uma contratação de impacto em uma obrigação financeira de longo prazo. Não há dinheiro para isso. O clube deve para muitos credores. Há um empréstimo de R$ 80 milhões com a Crefisa. Mas também há as velhas e perigosas manobras no futebol de comprar e depois ver como paga.
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Por isso, neste momento, Richarlison no Vasco é mais do que uma negociação de mercado: é um teste para a capacidade financeira do clube e sua destreza de negociar. O interesse existe, a consulta foi feita e o cenário do atacante na Inglaterra acena positivamente. A questão é saber quem pagará a conta. Porque Richarlison pode até caber no sonho do Vasco, mas o seu salário não cabe no orçamento do clube.





