O Wrexham deixou de ser apenas uma história bonita do futebol inglês para se tornar um dos cases mais relevantes de marketing esportivo dos últimos anos. Quando Ryan Reynolds e Rob McElhenney compraram o clube em 2021 por cerca de 2 milhões de libras, estavam adquirindo um ativo pequeno, local e praticamente invisível no cenário global. Um clube da quinta divisão, com pouca receita, nenhuma exposição e sem qualquer protagonismo fora da sua comunidade. Mas o que eles enxergaram ali não foi um time, foi uma plataforma.
A grande virada não aconteceu dentro de campo. Aconteceu na forma como o clube passou a se posicionar. O lançamento da série “Welcome to Wrexham” foi o ponto de ruptura. Mais do que documentar a trajetória do clube, a série passou a ser o principal motor de crescimento da marca. Transformou o Wrexham em conteúdo contínuo, em narrativa global, em produto de entretenimento. E isso muda completamente o jogo. Porque quando um clube deixa de depender apenas do resultado esportivo e passa a gerar valor através de storytelling, ele quebra uma das maiores limitações do futebol tradicional: a geografia.

O Wrexham deixou de ser um clube galês para se tornar uma marca global. E isso se refletiu diretamente nos números. A base de seguidores explodiu, saindo de algumas dezenas de milhares para milhões em poucos anos. A venda de camisas passou a atingir mercados fora do Reino Unido, com torcedores que nunca pisaram em Wrexham, mas que se conectaram com a história. E, principalmente, o clube passou a atrair patrocinadores que jamais olhariam para um time da quinta divisão.
Boas histórias e narrativas
TikTok, United Airlines, Expedia… marcas globais passaram a se associar ao Wrexham não pelo que ele era em campo, mas pelo que ele representava fora dele. E isso revela um ponto central: o clube passou a vender algo muito mais valioso do que exposição, passou a vender narrativa. Em um mercado saturado de marcas brigando por atenção, quem conta uma boa história sai na frente. E o Wrexham entendeu isso como poucos.
Outro movimento inteligente foi transformar os próprios donos em ativos de comunicação. Ryan Reynolds, com seu alcance e linguagem, não apenas investe no clube, ele amplifica o clube diariamente. O Wrexham virou extensão da sua marca pessoal. Isso humaniza, aproxima e gera identificação. O torcedor não acompanha só o time, acompanha os bastidores, as decisões, as emoções. Existe uma sensação de pertencimento que poucos clubes conseguem construir.
Esse ecossistema fez com que o modelo de negócio do Wrexham mudasse completamente. Hoje, grande parte da receita vem de patrocínios e acordos comerciais, muitos deles internacionais. Ou seja, o clube passou a operar como uma empresa de mídia com um time de futebol dentro, e não o contrário. E talvez esse seja o maior aprendizado do case.
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O mais impressionante é que tudo isso aconteceu antes da chegada à elite do futebol inglês. O Wrexham não esperou subir para a Premier League para se comportar como um clube global. Ele construiu audiência, relevância e receita antes. E isso inverte uma lógica histórica do futebol, onde o marketing sempre foi consequência do desempenho esportivo. No caso do Wrexham, o marketing puxou o crescimento e o futebol veio junto.





