O primeiro time da história a disputar uma partida com onze jogadores estrangeiros foi o Chelsea. O ano era 1999, um dia seguinte ao Natal, aquilo que os ingleses chamam de The Boxing Day. Grosso modo, o dia das caixas. Foi quando o futebol mundial saiu da caixinha: De Goey (holandês), Ferrer (espanhol), Emerson Thomé (brasileiro), Desailly (francês) e Babayaro (nigeriano); Petrescu (romeno), Deschamps (francês), Di Matteo (italiano) e Poyet (uruguaio); Ambrosetti (italiano) e Tore Andre Flo (norueguês). O técnico era o italiano Gianluigi Vialli.

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A possibilidade de escalar tantos jogadores de nacionalidades diferentes num time europeu nasceu em dezembro de 1995, quando o belga Jean Marc Bosman conquistou o direito de jogar na França, como qualquer advogado, arquiteto ou engenheiro. Até aquele dia, a América do Sul tinha 20 títulos mundiais e a Europa possuía 14. Não foi o ouro que roubaram de nós, na América do Sul, que propiciou isso.

Fluminense é o único representante do futebol sul-americano no Mundial de Clubes da Fifa / Fluminense

A Copa do Mundo de Clubes demonstra que a distância pode diminuir e depende muito da capacidade que o Brasil precisa ter de formatar uma nova liga, capaz de transformar lixo em ouro, como os ingleses fizeram.

Inglaterra fez futebol virar ouro

Enquanto a Itália tornava ouro em lixo, a Inglaterra começava em 1992 a fazer seu torneio parar de exportar jogadores para a França e importar de todas as partes do mundo. Como o exemplo do Chelsea todo estrangeiro é de 1999, percebe-se que demorou sete anos. Um pouco menos, até. No início da década de 1990, o Tottenham era campeão da Copa da Inglaterra e vendeu Paul Gascoigne para a Lazio, nona colocada da Itália.

Cinco anos depois, o Parma era vice-campeão italiano e vendeu Gianfranco Zola para o Chelsea, 11º colocado inglês. Não foi milagre, mas trabalho.

Chelsea é um time vencedor, mas sempre foi de padrão médio na Inglaterra e também no futebol da Europa / Chelsea

Gilberto Gil é torcedor do Bahia. Seu grande coração tem espaço para o Chelsea e para o Fluminense. Quando morou em Londres, no exílio, Gil torcia pelo Chelsea. Na Copa de 1970, os azuis de Londres representavam um time médio, com dois reservas na seleção inglesa, o goleiro Bonetti, reserva de Gordon Banks, que jogou e falhou contra a Alemanha, na eliminação.

Chelsea sempre foi médio

E o centroavante Osgood, substituto em duas partidas, contra Romênia e Tchecoslováquia. O Fluminense tinha o goleiro Félix, titular absoluto, e o lateral Marco Antônio. Historicamente, o Fluminense é maior do que o Chelsea. Sempre foi grande. O Chelsea sempre foi médio.

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Acontece que o futebol moderno, pós-Bosman, mudou isso. Então, quando se chega a uma semifinal de Copa do Mundo de Clubes, com o Chelsea de onze convocados por seleções nacionais para a última Data-Fifa e o Fluminense com apenas dois… é desigual.

Não é missão impossível para o Flu

O que não significa que seja uma missão impossível o time do Rio se sair bem. A Copa de Clubes teve Renato estudando e lendo livros, como “Adriano, Meu Medo Maior”, de Ulisses Neto, lançado pela editora Planeta, em 2024. E Guardiola na praia. Renato Gaúcho pode levar sua vida em Ipanema. É do que ele gosta. De futebol, muito também. Guardiola chegou ao Barcelona aos 13 anos. Nessa idade, Renato era padeiro, saía de casa cedinho, na neve, em Bento Gonçalves. Isto, sim, é outro esporte.

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