Para quem foi eliminado na fase preliminar pelo Barcelona de Guayaquil na Libertadores do ano passado, o início do Corinthians na competição deste ano beira um sonho. Dois jogos, duas vitórias, quatro gols marcados, nenhum sofrido e a liderança absoluta de uma chave que, no dia do sorteio, parecia nada amigável.
O efeito Fernando Diniz já não pode mais ser tratado como mera empolgação passageira. Desde que chegou para substituir Dorival Júnior, o Corinthians virou a chave e chega a três jogos sem derrota, incluído aí o dérbi mais tenso dos últimos anos. Como por encanto, aquele time insosso da fase terminal da gestão de Dorival ficou para trás. Transformou-se de um time errático, emocionalmente instável e taticamente disperso em uma equipe que entende o jogo, ocupa os espaços e, sobretudo, sabe o que fazer com a bola. Nem parece o mesmo Corinthians…

Foi essa mudança de espírito — mais do que qualquer ajuste tático pontual — que permitiu ao Timão reencontrar o caminho das vitórias em Itaquera depois de dois meses de frustração. Desde 12 de fevereiro, atuar em casa havia se tornado um drama. Mas o incômodo chegou ao fim nesta quarta-feira, na vitória por 2 a 0 sobre o Santa Fé.
O fator Rodrigo Garro
O placar não apenas faz justiça ao que se viu em campo — ele traduz a nova fase do Corinthians. Mais de 60% de posse de bola, domínio territorial e, talvez o mais simbólico, a ausência de sustos. O Corinthians não deixou que os velhos fantasmas rondassem a Neo Química Arena. Jogou com autoridade, sem pressa e desespero, certo de que chegaria ao gol e a vitória naturalmente. A torcida comprou essa ideia e jogou junto.
Quando sentiu que, enfim, tinha chegado a hora de decidir a parada, o novo Corinthians recorreu às velhas armas e apostou suas fichas nas jogadas aéreas a partir da bola parada. Bingo! No primeiro gol, Rodrigo Garro cobrou escanteio com precisão, encontrou Gustavo Henrique no segundo pau e o zagueiro escorou para o meio da área. Raniele, com instinto de centroavante, apareceu no lugar certo para desviar e vencer Mosquera, até então intransponível.
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O Santa Fé ainda tentou reagir, ensaiou uma pressão tímida em busca do empate, mas foi novamente punido — e novamente pela mesma armadilha corintiana. Garro na bola, levantamento na medida, segundo pau. Gustavo Henrique, outra vez. O gesto técnico não foi dos mais plásticos: um desvio de joelho, quase de canela. Mas há momentos em que a fase fala mais alto do que a forma. A bola ganhou uma curva improvável, encobriu o goleiro e morreu no fundo das redes. Quando a fase é boa tudo dá certo.
Há algo em curso em Itaquera
Queiram ou não, acreditem ou não, o chamado “dinizismo” pede passagem — não como conceito abstrato, mas como prática que começa a dar resultado. Fazia dez anos que o Corinthians não vencia os dois primeiros jogos de uma fase de grupos de Libertadores. E dois meses que não ganhava em casa. Fazia tempo que o time não repetia uma escalação por três partidas consecutivas. Depois de tanto ruído dentro e fora de campo, a sensação é de que os bons ventos voltaram a soprar a favor pelos lados do Parque São Jorge.





