A Irã confirmou presença na Copa do Mundo Fifa de 2026. Mas a classificação para o torneio deixou de ser apenas uma questão esportiva. Virou também um embate diplomático, político e cultural em plena maior competição do futebol do planeta. Estados Unidos e Irã estão em guerra. A mensagem enviada pela Federação Iraniana neste sábado ao mundo foi clara: o país vai disputar a Copa, mas exige respeito às suas condições e tradições. E isso muda completamente o cenário em torno da seleção iraniana a menos de um mês da abertura do Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá. O Irã vai jogar no país de Donald Trump.
O futebol entrou definitivamente no centro da tensão geopolítica. Já não se trata mais da presença na disputa de um dos 48 países classificados para a Copa. O caso ganhou força depois que autoridades canadenses impediram recentemente a entrada de dirigentes ligados ao futebol iraniano por supostas conexões com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, grupo considerado organização terrorista por Ottawa e também pelos Estados Unidos. A situação elevou o tom entre Teerã e os organizadores do torneio.

A resposta iraniana veio em forma de exigências. Mas não são exigências esportivas. A federação do Irã estabeleceu dez condições para participar da Copa do Mundo, conforme informou a AFP neste sábado. Entre elas, há o pedido de garantias de emissão de vistos para todos os membros da delegação, proteção à bandeira e ao hino nacional, segurança reforçada em aeroportos, hotéis e deslocamentos para os jogos, além de respeito às crenças culturais e religiosas da equipe.
Irã pede segurança à Fifa
Não se trata também de detalhes diplomáticos. É um recado político e uma manifestação de que o Irã não pretende “desaparecer” como nação como disse o presidente dos Estados Unidos. O futebol, nesse caso, é apenas um pano de fundo para os argumentos. A Fifa será a grande mediadora desse teatro das operações do Irã na Copa. Ela deve a todos os países participantes exatamente tudo o que os iranianos estão pleiteando.

“Definitivamente participaremos da Copa do Mundo 2026, mas os anfitriões devem levar em conta nossas preocupações”, informou a federação nas redes. “Participaremos do torneio, mas sem nenhum recuo em relação às nossas crenças, cultura e convicções.”
O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, foi direto ao ponto ao afirmar que jogadores que passaram pelo serviço militar ligado ao CGRI — como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi — precisam receber autorização de entrada nos Estados Unidos e Canadá sem restrições. Eles devem ser observados como atletas profissionais e não como combatentes iranianos.
O que disse Marco Rubio
A preocupação existe porque o Mundial da Fifa será disputado majoritariamente em território americano. E o cenário político entre Washington e Teerã continua extremamente delicado desde a escalada militar no Oriente Médio no início do ano. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, tentou reduzir a tensão ao afirmar que os jogadores serão bem recebidos durante a competição. Mas deixou aberta a possibilidade de restrições para integrantes da delegação ligados ao braço militar iraniano.

O futebol, portanto, virou extensão da crise internacional. A própria Fifa tenta blindar a competição do conflito político e falar apenas em futebol. O presidente Gianni Infantino reafirmou que o Irã jogará normalmente suas partidas nos Estados Unidos conforme previsto pela tabela oficial. Em nenhum momento houve manipulação da entidade para que os jogos do Irã fossem realizados no México, por exemplo, o que poderia reduzir a tensão no torneio. Haverá segurança ao time do Irã o tempo todo desde quando ele entrar nos Estados Unidos.
Irã ficará em Tucson (EUA)
Mas ninguém dentro da Fifa ignora o tamanho do problema e os riscos existentes. A Copa do Mundo de 2026 já seria histórica por reunir 48 seleções e três países-sede. Agora também precisará administrar uma tensão diplomática em tempo real de conflito armado. O Irã planeja estabelecer sua base em Tucson, no Arizona, e fará sua estreia contra a Nova Zelândia, em Los Angeles. Depois, o time encara Bélgica e Egito.
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Dentro de campo, a seleção iraniana continua sendo uma das forças emergentes da Ásia, com uma geração experiente e acostumada a jogar sob pressão. Fora dele, porém, a realidade é muito mais complexa. A Copa sempre gostou de vender a ideia de união entre os povos. Infantino leva essa bandeira onde quer que vá. Em 2026, ela também terá de provar que consegue sobreviver às divisões políticas do planeta.





