25 de maio de 2026. O Corinthians já tem data para dar um passo decisivo na sua história. Só não se sabe ainda se o passo levará o clube para frente ou para trás. O contexto é o seguinte: o clube vive dias que podem definir muito mais do que o futuro político de alguns dirigentes. O Corinthians atravessa um daqueles momentos raros em que precisa decidir, diante de todos, que tipo de instituição deseja ser daqui para frente. E talvez por isso o julgamento envolvendo Andrés Sanchez carregue um peso tão simbólico.
O Conselho Deliberativo marcou para este mês a votação do pedido de expulsão do ex-presidente do quadro de associados do clube por uso indevido do cartão corporativo. E embora o caso tenha nome, CPF e lado político bastante conhecidos, a discussão já ultrapassou faz tempo a figura individual de Andrés. O que está em jogo é a capacidade — ou não — de o Corinthians impor consequências internas a práticas que durante décadas foram normalizadas nos bastidores do futebol brasileiro.

As investigações internas realizadas no Parque São Jorge apontaram que Andrés utilizou recursos do clube para despesas pessoais entre 2018 e 2020 sem prestação de contas. Entre os gastos considerados irregulares aparecem hotéis, restaurantes, joalherias, lojas de móveis, vestuário, clínicas médicas, hospitais e empresas de transporte aéreo sem relação comprovada com compromissos institucionais do Corinthians. O caso, inclusive, já foi alvo de apurações do Ministério Público.
Será que ele vai ser expulso?
E por isso um eventual arquivamento do processo seria um desastre moral para o Corinthians. Não apenas pela gravidade das acusações, mas pela mensagem transmitida. Porque clubes de futebol brasileiros historicamente nunca tiveram dificuldade em identificar escândalos. A dificuldade sempre esteve em produzir consequências reais. A impunidade virou, ao longo dos anos, a grande engrenagem silenciosa que alimenta os malfeitos administrativos.
O problema é que o Corinthians agora chegou a um ponto em que já não basta apenas trocar presidentes, grupos políticos ou discursos eleitorais. O clube precisa decidir se quer continuar funcionando sob a lógica da escuridão ou se pretende botar uma luz no fim do túnel que leve a uma nova cultura institucional.
Conquistas não são salvo-condutos
E não se trata de ignorar a relevância de Andrés Sanchez na história recente do Parque São Jorge. Seria intelectualmente desonesto fazer isso. Andrés ajudou a liderar o período mais vitorioso da história corintiana, participou da reconstrução de imagem do clube, da conquista da Libertadores, do Mundial, do sonho do estádio próprio e da consolidação de um Corinthians financeiramente mais poderoso durante parte daquele ciclo. Mas nada disso pode servir como salvo-conduto eterno.

Até porque o que torna este julgamento tão delicado é o peso político de quem está sentado no banco dos réus. Andrés liderou um grupo que governou o Corinthians por mais de duas décadas e espalhou suas raízes por praticamente todos os setores da vida política do clube. Por isso existe enorme expectativa sobre os chamados “atalhos” que podem surgir durante a sessão do Conselho.
Nas mãos dos conselheiros
Os conselheiros terão a possibilidade de optar não apenas pela expulsão definitiva, mas também por punições alternativas como advertência, suspensão temporária ou até mesmo arquivamento do caso. E é aí que mora o temor de grande parte da torcida: a velha tradição brasileira da “passada de pano”, da solução protocolar, da penalidade construída apenas para preservar alianças internas sem afrontar a opinião pública.
E talvez o mais interessante seja perceber que esse debate acontece no momento em que o Corinthians também discute mudanças profundas em sua estrutura política. Após o afastamento de Romeu Tuma Júnior, o presidente do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, convocou a Assembleia Geral para o próximo dia 20 de junho visando votar itens da reforma do estatuto. Entre eles, a possibilidade de reeleição do presidente Osmar Stabile e a ampliação da participação política de torcedores ligados ao programa Fiel Torcedor.
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E talvez seja aí que os dois assuntos se conectem. Porque o Corinthians não está apenas discutindo regras pontuais. Está discutindo o futuro de sua trajetória. No fim das contas, o julgamento de Andrés Sanchez talvez represente algo maior do que o destino político de um ex-presidente. O Corinthians decidirá se deseja apenas administrar o próprio passado ou confrontá-lo. A hora está chegando…





