Debaixo de chuva, com clima pesado, tensão de clássico e uma camisa carregada de simbolismo, Corinthians e São Paulo fizeram neste domingo, na Neo Química Arena, um Majestoso que parecia destinado a mexer profundamente com os dois lados. E mexeu. Ao fim dos 90 minutos, o Corinthians venceu por 3 a 2 de maneira indiscutível, sendo superior física, técnica e emocionalmente em praticamente toda a partida, enquanto o São Paulo saiu do estádio afundado em dúvidas, pressão e sinais cada vez mais evidentes de desgaste em torno do trabalho de Roger Machado.
Foi um clássico meio caótico, com direito a polêmicas de arbitragem, belos gols e jogadores se equilibrando na corda bamba que separa heróis de vilões.

O contexto da tarde já era especial antes mesmo de a bola rolar. O Corinthians estreava a camisa listrada em homenagem à histórica Invasão Corintiana de 1976 no Maracanã. Coincidentemente — ou talvez poeticamente —, o adversário também era um tricolor, e a chuva que caiu sobre Itaquera ajudou a transformar o clássico numa partida de combate, entrega e imposição física. Um cenário que exigia personalidade. E nisso o Corinthians foi muito mais time. E saiu de campo de novo com a vitória.
Duas forças opostas
Empurrado pela torcida e sustentado por grandes atuações individuais de Garro, Breno Bidon, Carrillo e Matheuzinho, o time de Fernando Diniz jogou um clássico com alma corintiana. Brigou por cada espaço, sufocou o rival durante boa parte do jogo e venceu com autoridade mesmo depois de cometer dois erros grotescos que resultaram nos gols do rival. Mais do que três pontos fundamentais na luta para deixar a zona de rebaixamento, o resultado deixa ao torcedor a sensação de que o time começa a ganhar identidade após pouco mais de um mês de trabalho do novo treinador.

Do lado são-paulino, o cenário foi o oposto. O São Paulo mostrou um time sem repertório, sem conexão emocional com o jogo e incapaz de reagir quando o adversário elevou o nível de intensidade. Roger Machado continua sem convencer a torcida e o ambiente político do clube, e uma derrota desse tamanho, da maneira como aconteceu, inevitavelmente amplia os ruídos em torno de seu trabalho.
Duelo equilibrado
O clássico começou agitado. Chances para os dois lados, muita disputa física e erros no último passe impedindo que o placar fosse aberto cedo. Aos poucos, porém, o Corinthians cresceu na partida. Passou a controlar o meio-campo, criar oportunidades e empurrar o São Paulo para trás. Até que Garro cobrou escanteio na primeira trave e Raniele apareceu ganhando da marcação para testar firme e abrir o placar.
O Corinthians ainda teve chances para ampliar antes do intervalo, mas caiu de produção nos minutos finais da primeira etapa e acabou castigado justamente por um erro na saída curta — ironicamente uma das marcas do trabalho de Diniz. Raniele errou passe dentro da pequena área, Luciano ficou com a sobra livre e empatou para o São Paulo com o gol vazio. Um castigo que podia ter colocado tudo a perder.
A comemoração do gol incendiou o clássico. Houve confusão generalizada, troca de empurrões, quatro cartões amarelos e uma revisão do VAR para um possível gesto obsceno de Bobadilla em direção à torcida corintiana. Anderson Daronco analisou o lance no monitor, mas decidiu não expulsar o jogador são-paulino, aumentando ainda mais a revolta dos atletas do Corinthians, que lembraram expulsões recentes de Allan e André em situações parecidas.
Energia alvinegra
Se o fim do primeiro tempo terminou em tensão, o início do segundo veio em avalanche corintiana. O Corinthians voltou do intervalo atropelando o rival, impulsionado pela torcida e pela sensação clara de que poderia decidir o jogo rapidamente. Aos seis minutos, Matheuzinho marcou um golaço. Recebeu pela direita, deixou Ferreirinha caído dentro da área e bateu forte, sem qualquer chance para Rafael.
Cinco minutos depois veio outro belo gol. A jogada começou pela esquerda, com Bidu encontrando Garro entre as linhas do São Paulo. O argentino carregou até a entrada da área e, em vez de servir Yuri Alberto, rolou para trás. Breno Bidon dominou na meia-lua, levantou a cabeça e bateu colocado, com categoria, no canto direito do goleiro são-paulino.
Naquele momento, o Corinthians parecia um boxeador percebendo o rival grogue, disposto a encaixar golpe atrás de golpe até o nocaute. E só não transformou a vitória em goleada porque diminuiu o ritmo na reta final. Garro comandava o jogo, Carrillo dava intensidade ao meio, Bidon jogava com personalidade impressionante e Matheuzinho fazia talvez sua melhor atuação com a camisa alvinegra.
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O São Paulo, por sua vez, não encontrava respostas. Sem criatividade, sem profundidade e sem alternativas ofensivas, o time ficou preso na armadilha montada pelo Corinthians durante praticamente todo o segundo tempo. Quando Fernando Diniz já administrava a partida e começava a preservar seus principais jogadores, o Corinthians voltou a presentear o rival. Aos 43 minutos, num lance de infelicidade, Matheuzinho desviou contra o próprio patrimônio uma bola levantada despretensiosamente na área e recolocou o São Paulo no jogo. Mas já era tarde. Naquela altura, o Corinthians já tinha decretado a vitória que faltava para encher a torcida de confiança outra vez.





