
O Corinthians mostrou maturidade, personalidade e qualidade para construir uma virada incontestável sobre o Grêmio por 3 a 1, na Arena do Grêmio. Mais do que três pontos importantes na tabela, o resultado serviu para confirmar que os primeiros sinais do trabalho de Fernando Diniz começam a ganhar forma dentro de campo. Mas desta vez foi diferente. Muito diferente.
Quando o Corinthians tomou o primeiro gol antes mesmo dos dez minutos iniciais, em uma inacreditável sucessão de falhas defensivas, dez entre dez torcedores alvinegros imaginaram que a noite em Porto Alegre seguiria o velho roteiro que tantas vezes se repetiu nos últimos anos. Um time inseguro longe de casa, acuado diante da pressão adversária e incapaz de reagir depois de sofrer um golpe tão cedo.

Susto inicial
O começo foi tudo aquilo que o corintiano não queria ver. O Grêmio pressionava a saída de bola, encurtava espaços e, assim, o caminho do gol. Aos sete minutos, Viery roubou a bola de Matheuzinho, a jogada avançou rapidamente e, depois da finalização de Carlos Vinícius e de uma tentativa desesperada de salvamento de Bidon em cima da linha, Gabriel Mec apareceu no rebote para abrir o placar.
Mesmo pressionado, o Corinthians não abandonou a proposta de jogo. Continuou tentando construir suas jogadas pelos lados do campo e aos poucos foi encontrando espaços. O gol, porém, veio só nos acréscimos. Aos 46 minutos, Bidon cruzou para a área, Viery afastou mal e André pegou a sobra para acertar um chute espetacular de fora da área, sem qualquer chance de defesa.
Corinthians na pressão
O empate não apenas recolocou o Corinthians no jogo. Devolveu confiança em uma equipe que, em outros tempos, provavelmente teria ido para o intervalo apenas administrando os danos. A volta para o segundo tempo mostrou um Corinthians ainda mais corajoso. Com os quatro homens do meio-campo posicionados de maneira agressiva e Kaio César espetado pela direita, o time passou a controlar a partida. O Grêmio ainda teve sua oportunidade em uma blitz aos nove minutos, mas Hugo Souza apareceu com duas grandes defesas e, no rebote, Gustavo Henrique salvou praticamente em cima da linha. Foi o último suspiro gremista.
Virada questão de tempo
A partir dali surgiu talvez a melhor sequência coletiva do Corinthians desde a chegada de Fernando Diniz. Aos 19 minutos, uma jogada construída de pé em pé atravessou o campo inteiro. Yuri Alberto fez o pivô, aguardou a infiltração dos companheiros e encontrou André chegando livre. O volante concluiu com categoria para marcar seu segundo golaço da noite e virar o jogo.
Três minutos depois, a receita se repetiu. Troca de passes envolvente, aproximação dos meio-campistas, mais um pivô perfeito de Yuri Alberto e a bola encontrou Kaio César. O garoto desmontou a marcação com um drible desconcertante e finalizou de esquerda para marcar outro belo gol. Era a materialização do futebol que Diniz tenta implantar. Um futebol apoiado na circulação da bola, nas aproximações constantes e na participação coletiva de todos os setores da equipe.
Só golaços
Kaio César, mais uma vez, foi personagem central. Além de cumprir rigorosamente as funções táticas exigidas pelo treinador, tornou-se a principal válvula de escape ofensiva do time. Sempre aberto pela direita, deu profundidade, velocidade e desequilíbrio ao ataque corintiano. Aos 30 minutos, Bidu ainda esteve perto de ampliar. Lançado em velocidade, tentou encobrir Thiago Beltrame e acabou atingido pelo goleiro gremista, que recebeu cartão vermelho direto. O quarto gol não veio, mas a resposta que a torcida esperava estava dada.
Futuro promissor do dinizismo’
Para se ter dimensão da importância da vitória, basta lembrar que foi apenas o terceiro triunfo corintiano fora de casa neste Campeonato Brasileiro. Além disso, os três pontos empurraram a equipe para a primeira metade da tabela, afastando de vez aquele desconfortável ambiente de proximidade com a zona de rebaixamento que acompanhou o clube durante boa parte da temporada.
É nessa condição que o Corinthians chega à pausa para a Copa. Com mais tranquilidade, mais confiança e, principalmente, com sinais concretos de evolução. Ninguém está dizendo que o time virou favorito a alguma coisa. Ainda existem limitações evidentes e erros técnicos individuais que precisam ser corrigidos. Mas também seria injusto ignorar o que aconteceu em Porto Alegre.
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Porque o Corinthians que reagiu após sofrer um gol logo no início, dominou o adversário fora de casa e construiu uma virada baseada em futebol coletivo já não se parece com aquele time apático e previsível dos tempos de Dorival Júnior. Talvez ainda não seja o Corinthians que Fernando Diniz sonha construir. Mas certamente já é um Corinthians melhor do que aquele time medroso dos tempos de Dorival.





