Depois de ser atropelado pelos Estados Unidos na estreia da Copa do Mundo, o Paraguai precisava de uma resposta. A seleção sul-americana entrou em campo contra a Turquia sem margem para drama prolongado, sem espaço para cálculo e sem direito ao medo. E resolveu transformar a urgência em impacto imediato. Antes mesmo que o jogo ganhasse forma, Matías Galarza acertou o primeiro grande golpe da noite, marcou o gol mais rápido desta Copa e mudou completamente a história da partida. Foi um drama até o final, mas os paraguaios saíram vitoriosos, por 1 a 0. Com duas derrotas, a Turquia é o segundo país eliminado.

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O lance teve a cara do desespero organizado que a ocasião exigia. O Paraguai pressionou a saída turca, roubou a bola no campo de ataque e não deixou o adversário respirar. A jogada terminou nos pés de Galarza, que, aos 65 segundos, bateu com firmeza, de fora da área, para colocar os paraguaios em vantagem. Em uma competição na qual cada detalhe começa a pesar como sentença, aquele chute valeu muito mais do que um gol. Valeu controle emocional. Valeu sobrevivência. Valeu a chance de obrigar a Turquia a jogar contra o placar desde o início.

Galarza (23) é seguido pelos companheiros na comemoração do seu gol, anotado aos 65 segundos do primeiro tempo
Galarza (23) é seguido pelos companheiros na comemoração do seu gol, anotado aos 65 segundos do primeiro tempo / Fifa

A partir dali, a partida ganhou contornos bem definidos. A Turquia, derrotada pela Austrália na estreia, sabia que um novo tropeço poderia significar o fim precoce de uma campanha que começou cercada de expectativa. Com Arda Güler, Hakan Çalhanoglu e Kenan Yildiz, os turcos tinham talento suficiente para pressionar, acelerar e empurrar o Paraguai para trás. Faltou, no entanto, a parte mais importante: transformar volume em gol.

Expulsão com nova regra

O Paraguai, por sua vez, parecia confortável no desconforto. Recuou quando foi preciso, fechou os espaços por dentro, aceitou sofrer e tentou sair em velocidade sempre que encontrou campo. Gustavo Gómez liderou a defesa como quem entende esse tipo de noite. Não era jogo para brilho estético. Era jogo para corte, choque, segunda bola, sobra, concentração e pulmão.

A história, que já era tensa, ficou ainda mais dramática nos acréscimos do primeiro tempo. Miguel Almirón se envolveu em uma discussão com Mert Müldür e acabou expulso após revisão do VAR por cobrir a boca com a mão durante o confronto. Foi a aplicação mais emblemática da nova regra adotada para esta Copa, criada para coibir situações em que jogadores escondem a fala em momentos de provocação ou possível ofensa ao adversário.

A expulsão mudou tudo. O Paraguai, que já defendia uma vantagem mínima, voltou para o segundo tempo obrigado a resistir com dez jogadores. A Turquia, que já tinha a bola, passou a ter também a obrigação absoluta de sufocar. Só que a obrigação, muitas vezes, pesa mais do que ajuda. Os turcos rondaram a área, empilharam cruzamentos, procuraram finalizações de média distância e tentaram acelerar pelos lados. O empate, porém, nunca veio.

Paraguai Almirón é expulso no final do primeiro tempo após colocar a mão na bola na discussão com Mert Müldür
Miguel Almirón é expulso no final do primeiro tempo após colocar a mão na bola na discussão com Mert Müldür / Reprodução

Muralha intransponível

A cada minuto, a vitória paraguaia ficava menos parecida com um resultado e mais próxima de uma operação de resistência. Enciso se desdobrou para puxar contra-ataques e aliviar a pressão. Os volantes protegeram a entrada da área. Os zagueiros atacaram cada bola aérea como se fosse a última. O goleiro Orlando Gill também precisou aparecer, mas o segredo esteve no esforço coletivo: o Paraguai não defendeu apenas uma vantagem; defendeu a própria permanência na Copa.

Do outro lado, a Turquia foi sendo consumida pela pressa. O time que chegou ao torneio com a aura de possível surpresa voltou a esbarrar no mesmo problema da estreia: produziu, teve presença ofensiva, mas não encontrou precisão no momento decisivo. Quando a bola não entrou, o nervosismo tomou conta. E, quando o apito final confirmou o 1 a 0, a frustração turca virou eliminação.

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Para o Paraguai, a noite em Santa Clara teve sabor de renascimento. A seleção saiu da condição de abatida pela estreia para viva na última rodada. Mais do que isso: recuperou um traço histórico de sua identidade competitiva. O Paraguai pode não ter encantado pela posse, pela troca de passes ou pela exuberância ofensiva. Mas venceu com alma, concentração e uma capacidade de resistência que explica por que a Copa também é feita de partidas assim. O gol relâmpago de Galarza abriu a porta. A expulsão de Almirón quase a fechou. Entre uma coisa e outra, o Paraguai encontrou um caminho estreito, sofrido e heroico para continuar respirando no Mundial.

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