Técnico da seleção de Gana, o português Carlos Queiroz tinha um plano para seu time sobreviver aos ataques da Inglaterra: montar um esquema ultradefensivo e convencer os seus jogadores a acreditarem na estratégia e lutarem por cada bola. Considerado uma raposa quando se trata de montar equipes de futebol competitivas, o que interessava a Queiroz era somar um ponto precioso diante da Inglaterra, treinada pelo alemão Thomas Tuchel. E conseguiu, as duas equipes empataram sem gols.
Este empate pode ser fundamental para Gana encaminhar a classificação para a próxima fase, seja entre os dois primeiros do grupo, seja, em último caso, entre os oito melhores terceiros colocados. Claro que não é uma estratégia de jogo bonita de se ver, mas quem se importa quando o objetivo foi alcançado, não é?

Inglaterra travada
E os ganenses saíram comemorando o sucesso do plano colocado em prática pelo seu treinador, em Foxborough, nos arredores de Boston. Atuando com duas linhas de defesa, era como se a seleção africana tivesse estacionado um ônibus na frente da sua meta. E não era bloco defensivo estático: conforme se sucediam as investidas dos atacantes da Inglaterra, os ganeses se movimentavam, antecipando o que seus adversários pretendiam fazer e fechando os espaços, como podiam.
Resultado? Apesar de ter 78% de posse de bola, a Inglaterra só conseguiu acertar três finalizações no gol dos africanos, embora tenha terminado a partida com 19 chutes e 12 chances criadas. “É sempre muito difícil jogar contra uma defesa com 11 jogadores atrás da linha da bola”, disse o meia inglês Declan Rice, em entrevista concedida à Fifa, na saída do campo, logo após a partida. “É preciso dar crédito a Gana: atuaram dentro de um esquema 5-4-1, muito compacto, com espaços reduzidos para jogar.”
Kane é anulado
Desta vez, bem marcado por Partey, de Gana, o centroavante Harry Kane não pôde ser o herói providencial de tantas vezes. Na única chance real que ele teve, isolou a bola. Isso depois que seu companheiro, Nico O’Reilly, cabeceou no travessão adversário, a quatro minutos do final do tempo regulamentar.
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“Nossos adversários defenderam bem a sua área e era difícil fazer passes pelo meio porque o time estava muito compacto”, disse. Agora o plano dos ingleses é simples: derrotar o Panamá, no papel o adversário de menor tradição mundialista, tentar confirmar o primeiro lugar do Grupo L e partir com a moral alta para os jogos decisivos. Contra a valente e disciplinada seleção africana, treinada por Carlos Queiroz, ficará para uma próxima vez.





