Era a partida que ninguém queria disputar. Acabou como uma daquelas que ninguém gostaria que terminasse. Em um confronto com as defesas abertas, reviravoltas e recordes, a Inglaterra derrotou a França por 6 a 4, em Miami, e conquistou pela primeira vez o terceiro lugar de uma Copa do Mundo. Foi o melhor resultado dos ingleses desde o título de 1966, depois das derrotas nas decisões do terceiro lugar em 1990, para a Itália, e em 2018, diante da Bélgica.
Para quem gosta de gols, o chamado prêmio de consolação virou uma festa. Na história completa dos Mundiais, o 6 a 4 também ganhou lugar de destaque. Com dez gols, Inglaterra e França protagonizaram o quinto confronto mais goleador da competição, atrás apenas do inesquecível 7 a 5 da Áustria sobre a Suíça, em 1954, e de três partidas que terminaram com 11 gols: Brasil 6 a 5 Polônia, em 1938; Hungria 8 a 3 Alemanha Ocidental, também em 1954; e Hungria 10 a 1 El Salvador, em 1982. A chuva de gols em Miami ainda igualou o 7 a 3 da França sobre o Paraguai, registrado no Mundial de 1958.

Inglaterra com show de Saka
O espetáculo começou justamente porque as duas seleções chegaram reformuladas. Thomas Tuchel promoveu sete alterações em relação ao time derrotado pela Argentina na semifinal. Harry Kane, Jude Bellingham e Jordan Pickford ficaram no banco. Didier Deschamps manteve apenas quatro titulares da queda diante da Espanha: Mike Maignan, Adrien Rabiot, Michael Olise e Kylian Mbappé. Era uma oportunidade para reservas e jogadores menos utilizados, mas a intensidade passou longe de uma partida amistosa.
A Inglaterra precisou de apenas três minutos para abrir o placar, com Declan Rice. Aos 19, Ezri Konsa ampliou. Depois começou o show de Bukayo Saka. O atacante, que já havia tido um gol anulado, marcou aos 37 e novamente nos acréscimos. Quando o primeiro tempo terminou em 4 a 0, a França parecia anestesiada e a despedida de Deschamps caminhava para uma goleada humilhante.
Mbappé recordista
Mas o segundo tempo transformou uma vitória tranquila em teste para os nervos ingleses. Mbappé descontou aos três minutos. Bradley Barcola fez o segundo aos nove. Aos 22, novamente Mbappé marcou e reduziu a diferença para 4 a 3. Em apenas 19 minutos, os franceses haviam reconstruído uma partida que parecia encerrada. Mesmo derrotado, Mbappé escreveu mais um capítulo de sua história. Os dois gols elevaram sua marca para dez nesta edição e 22 em Copas, ultrapassando os 21 de Lionel Messi.
O francês encerra sua participação como líder provisório tanto da artilharia de 2026 quanto do ranking histórico dos Mundiais. Agora, precisa secar o argentino na final contra a Espanha: um gol de Messi produzirá novo empate na lista geral; dois deixarão ambos com dez no torneio, mas o camisa 10 argentino levará vantagem no número de assistências.
França fica no quase
Quando a França ameaçava completar uma virada histórica, Saka apareceu novamente. Aos 41 minutos, ele cobrou o pênalti sofrido por Djed Spence e completou o primeiro hat-trick de sua carreira pela seleção principal. Tornou-se ainda o quarto inglês a marcar três vezes em uma partida de Copa, depois de Geoff Hurst, Gary Lineker e Harry Kane. Nem assim o jogo acabou. Ousmane Dembélé marcou o quarto francês aos 51 minutos. Dois minutos depois, com a equipe de Deschamps lançada ao ataque, Bellingham aproveitou o campo aberto e fez o sexto, fechando o placar mais espetacular da história das decisões pelo bronze.

Para Tuchel, o resultado não apaga a postura excessivamente defensiva e a eliminação diante da Argentina, mas entrega à Inglaterra uma campanha histórica e alguma esperança para o próximo ciclo. Para a França, ficou a despedida amarga de Deschamps após 14 anos, período em que conquistou o Mundial de 2018, foi vice em 2022 e venceu a Liga das Nações de 2021.
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A Federação Francesa já definiu o próximo treinador. Zinedine Zidane é o sucessor. Assim, a França encerra uma era enquanto aguarda a próxima. A Inglaterra, por sua vez, volta para casa com um bronze inédito — conquistado em uma partida que começou como consolação e terminou como uma das maiores festas de gols das Copas.





