Nova York – No início da tarde deste sábado, quando Didier Deschamps desceu do ônibus que trouxe a delegação da seleção francesa do seu hotel, em Fort Lauderdale, para o Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, ele nem imaginava a gangorra de emoções pelas quais passaria nas horas que se seguiriam. Ok, haveria, após a derrota para a Espanha na semifinal, em Dallas, a disputa pelo terceiro lugar contra a Inglaterra, que valia pela honra. E era o último compromisso da França no Mundial de 2026 e, por consequência, o último do treinador. O que Deschamps — e qualquer pessoa — não poderia imaginar era o tamanho do sufoco que os Bleus levariam nos primeiros 45 minutos: a Inglaterra fez 4 a 0.
E não foi o seu único dissabor. Durante a pausa para hidratação, ao pedir ao meia Rayan Cherki que fizesse as transições de forma mais rápida, o jogador respondeu-lhe rispidamente. Foi substituído no intervalo por Dembélé, uma das quatro alterações tentadas pelo técnico para reduzir os danos. Pode-se dizer que ele acertou na mosca. De uma equipe passiva no primeiro tempo, na etapa final, a França ressuscitou, a ponto de marcar três gols — dois com Mbappé, que assumiu a liderança entre os artilheiros, e um com Barcola —, criando dúvidas nas cabeças dos jogadores da Inglaterra e do seu técnico, o alemão Thomas Tuchel.

Defesa escancarada
O problema para os franceses é que a sua opção criou vulnerabilidades que a Inglaterra soube aproveitar. Foi assim que surgiram o pênalti do lateral Malo Gusto, convertido por Saka aos 42 minutos do segundo tempo para decretar o 5 a 3, e o sexto gol, de Jude Bellingham, aos oito minutos de tempo adicional, quando a França era toda ataque, após Dembélé ter marcado o 4 a 5. “Como jogamos mal o primeiro tempo, na minha preleção no intervalo, falei de orgulho e personalidade, e a nossa equipe respondeu”, disse o técnico na sua última coletiva no cargo. “Chego ao final de minha jornada com a sensação de que eu e minha comissão técnica conseguimos levar a seleção da França a um outro nível.”
Capitão e principal jogador da equipe, Kylian Mbappé, o camisa 10 dos Bleus, assina embaixo. “As pessoas nem sempre reconheceram a grandeza de Didier Deschamps, mas o tempo e a história se encarregarão disso”, disse ele, logo após a partida, ainda no gramado do Hard Rock Stadium, em Miami. “Deveríamos ter lhe dado um final melhor, mas falhamos.”
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Com um título mundial conquistado como treinador na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, e como jogador no Mundial da França, vinte anos antes, Deschamps é o único que conseguiu igualar a marca do brasileiro Mário Jorge Lobo Zagallo e do alemão Franz Beckenbauer, que também ergueram a taça da Fifa nas duas funções. A propósito: Zinédine Zidane, o principal candidato a assumir a França já no próximo semestre, é outro que pode igualar este recorde. Segundo o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, o nome do sucessor de Didier Deschamps será divulgado “até o final de julho”.





