Foi a melhor participação da seleção inglesa em Copas do Mundo desde 1966. A equipe europeia já havia disputado o terceiro lugar em 1990 e 2018, mas tinha saído derrotada nas duas vezes anteriores. O meia Jude Bellingham fechou a participação como artilheiro da equipe com sete gols, enquanto o centroavante Harry Kane balançou seis vezes. Na decisão de terceiro lugar, outro jogador chamou a atenção. Trata-se de um ponta-direita negro que gosta de cortar pelo meio ou usar a linha de fundo para avançar. Seu nome: Bukayo Saka.
O camisa 7 inglês marcou três gols na partida deste sábado disputada no Hard Rock Stadium, em Miami. O primeiro nasceu após um chute forte do atacante Marcus Rashford. Este soltou uma bomba que o goleiro francês Mike Maignan espalmou, a bola sobrou livre para Saka fazer seu primeiro gol na partida. Ainda na primeira etapa, o meio-campista Eberechi Eze se aproveitou de uma saída errada dos franceses e encontrou o atacante saindo pelo lado. Saka saiu em velocidade, avançou para a área e bateu cruzado para aumentar a vantagem do English Team.

O terceiro gol saiu na reta final da partida. A França tentava uma reação quando o lateral-direito Djed Spence foi derrubado na área e o árbitro marcou pênalti. Bukayo Saka bateu com inteligência mandando a bola para dentro do gol. A partida terminou 6 a 4 e o camisa 7 da Inglaterra saiu como o artilheiro da partida com três gols marcados. Nada mal para quem ainda não tinha marcado nenhum gol nesta Copa do Mundo. “Saka mostrou que é um jogador fundamental, nunca tive dúvida em relação a isso. Nem sabia que ele tinha feito três gols. Eu perdi a conta”, disse o técnico Thomas Tuchel com bom humor.
Difícil classificação
Neste Mundial nem sempre ele foi titular absoluto. Com problemas no tendão de Aquiles, a comissão técnica realizou uma gestão rígida de minutos para evitar o agravamento da lesão. Mesmo assim, o ponta-direita entrou na maior parte das partidas da sua equipe e demonstrou personalidade. Na estreia contra a Croácia, o camisa 7 substituiu Noni Madueke para dar fôlego ao setor ofensivo. Mas o jogador precisou de poucos minutos para dar uma assistência e ajudar na vitória inglesa contra o time croata por 4 a 2.

Já na segunda rodada, ele entrou na partida contra a forte equipe de Gana do técnico Carlos Queiroz. Sob a forte marcação do time africano, a Inglaterra não conseguiu marcar. O resultado acabou obrigando o English Team a tratar a última partida da fase de grupos como decisiva. Dessa maneira, Thomas Tuchel escalou Bukayo Saka como titular contra o Panamá, no MetLife Stadium, em New Jersey.
O ponta inglês foi fundamental nessa partida para tentar furar o bloqueio defensivo e fez duas finalizações. Contudo, seu principal momento foi bater um escanteio que originou o primeiro gol da Inglaterra de cabeça de Jude Bellingham. No final da partida, Harry Kane fez um gol de pênalti e sacramentou a classificação britânica.
Coadjuvante na segunda fase
Com sete pontos, os ingleses terminaram o Grupo L na primeira posição. Na primeira partida da segunda fase, a equipe europeia enfrentou a surpreendente República Democrática do Congo. Os congoleses marcaram logo no início da partida com Brian Cipenga. Com a vantagem, a equipe africana se fechou e apostou numa estratégia defensiva. Saka entrou na segunda etapa e atuou de maneira mais tática, ajudando na retenção da bola e na pressão ofensiva. O protagonista daquela partida foi Harry Kane que marcou os dois gols da virada. A vitória deu confiança para o English Team.

Na partida das oitavas de final, no lendário Estádio Azteca, a Inglaterra conseguiu superar o México. O camisa 7 foi titular, mas esteve bem marcado e não conseguiu finalizar nenhuma vez. Atuando no lado direito, o ponta fez um cruzamento preciso e com muito efeito em direção à pequena área. A bola superou os marcadores mexicanos e encontrou Jude Bellingham livre que cabeceou e balançou as redes. Com a vitória por 3 a 2, a Inglaterra avançou ainda mais na competição.
O time britânico enfrentou a Noruega nas quartas de final no Hard Rock Stadium, em Miami. Bukayo Saka entrou na segunda etapa no lugar de Noni Madueke. Como o agravamento da lesão, o camisa 7 atuou sem o mesmo bom desempenho de outras partidas. Com dois gols de Bellingham, a Inglaterra venceu de virada por 2 a 1 e se classificou pela quarta vez para as semifinais. Thomas Tuchel optou por poupar o ponta-direita na partida decisiva contra a Argentina. Esse fato causou muita controvérsia entre a imprensa britânica.
Capitão do Arsenal
Formado nas divisões de base do Arsenal, Bukayo Saka subiu ao time principal com apenas 17 anos. Sua inteligência tática chamou a atenção desde o início, podendo atuar até mesmo como lateral. O bom relacionamento com o técnico Mikel Arteta foi um diferencial do jogador. Bastante disciplinado, manteve durante muito tempo a regularidade mesmo em momentos ruins da equipe.

Seu auge no Gunners foi na temporada 2025/26, quando atuou como ponta-direita contribuindo com inúmeras assistências para o centroavante sueco Viktor Gyokeres. Além da contribuição técnica, o camisa 7 assumiu a vaga de capitão em jogos decisivos, demonstrando sua identificação com a equipe do Emirates Stadium. A equipe faturou o título da Premier League, que quebrou um jejum de 22 anos do clube.
Frustração e orgulho
Aos 24 anos, o ponta-direita está em sua segunda Copa do Mundo. Após a vitória contra a França ele lamentou não ter atuado em todas as partidas da Inglaterra no Mundial. “Claro que gostaria de ter atuado mais, ser mais importante, mas agora é tarde, já foi. Temos que responder dentro de campo”, disse. “Ainda estamos bastante decepcionados por não estarmos na final, mas era importante terminar bem e dar ao país o melhor resultado em uma Copa em 60 anos”.





