Ele não foi um primor de técnica, mas nunca precisou dela. Seu faro de gol o colocava sempre nos melhores lugares da área e do campo. Para o centroavante Geraldão não existia gol feio. O importante era fazer o gol. O jogador foi conhecido por suas duas passagens pelo Corinthians. Ele foi o artilheiro do time na campanha histórica da conquista do Paulistão de 77, com 23 gols. Para muitos corintianos, aquele título é um dos maiores e mais importantes do clube porque acabou com a fila de 23 anos.
Tabu e Invasão ao Rio
Geraldão também esteve na famosa “Invasão Corintiana”, quando o time tomou o Rio de Janeiro em partida contra o Fluminense. O atleta morreu nesta quinta-feira. A causa da morte não foi divulgada. Mesmo tendo passado por outros clubes, como Grêmio e Inter, Geraldão sempre esteve associado ao Corinthians. E foi o time que ele mais defendeu: 280 partidas, com 91 gols.
Geraldo da Silva nasceu na cidade de Álvares Machado, interior de São Paulo, em 6 de agosto de 1949. De origem humilde, foi bóia-fria antes de começar no futebol profissional. Após passar por algumas equipes modestas do interior de São Paulo, ganhou destaque no Botafogo, de Ribeirão Preto, onde atuou entre 1970 e 1975. Na época, ele formou uma dupla de ataque com Sócrates e chamou atenção ao ser o artilheiro do Estadual de 1974, com 23 gols. Na temporada seguinte, o Corinthians pagou 500 mil cruzeiros pelo seu passe. Com um desempenho irregular, muitas vezes era preterido no Parque São Jorge por jogadores mais técnicos.

Mesmo assim, tinha muita raça e marcava muitos gols. Era um atacante “trombador”. O próprio jogador sabia das suas limitações técnicas. Em uma entrevista na década de 1970, ele declarou: “Sei que não sou craque, não procuro me promover. Tudo que consegui na vida foi pelo meu esforço, pelo meu suor. Então, a única coisa que quero é respeito.” Sua atuação na conquista do Paulistão de 1977 foi decisiva. Geraldão foi o artilheiro do alvinegro naquele título, com 23 gols. Na final contra a Ponte Preta, o goleador foi expulso pelo juiz Dulcídio Wanderley Boschilia no segundo tempo.
Consagração no Beira-Rio
Em 1978, o Corinthians contratou Rui Rei para a sua posição. Geraldão foi emprestado para o Juventus, da Mooca, onde disputou um Estadual e voltou para o clube do Parque São Jorge. Foi novamente campeão do Paulistão, atuando fixo na área e jogando com articuladores habilidosos, como Palhinha e Sócrates. Após a segunda passagem pelo Corinthians, Geraldão passou pelo Grêmio e novamente pelo Juventus.

Entre 1982 e 1984, Geraldão teve sucesso no Internacional. A consagração veio nas duas finais que decidiram o título gaúcho de 1982 contra o arquirrival Grêmio. O jogador marcou todos os cinco gols do Colorado naquelas partidas: três nos 3 a 1 do Beira-Rio e mais dois no empate de 2 a 2 no Olímpico. Foi artilheiro do Campeonato Estadual de 1982 e bicampeão da competição com o Inter em 1983. Na ocasião, o jogador chegou a declarar: “Não digo que será meu último clube, mas pretendo ficar no Sul por muito tempo.” Ganhou até uma música da torcida do Internacional: “Gera, gera, gera, Geraldão, és um grande artilheiro, alegria do povão”.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Ele também atuou no Colorado-PR, Mixto-MT, Francana-SP, entre outros. Após encerrar a carreira, foi professor de escolinhas de futebol e integrou a equipe de masters do Corinthians. Geraldão é símbolo de um tipo de jogador raro no futebol atual. Um atacante fixo, treinador exclusivamente para marcar gols de cabeça e se valer do seu corpo entre os zagueiros. Mas sempre muita força física e oportunismo. Geraldão tinha 77 anos.





