Um vago pedido de desculpas divulgado após uma reunião de crise, em Rabat, no Marrocos, e o apoio de alguns membros da diretoria da própria Fifa pareciam ter selado o final do controverso plano de Gianni Infantino, o presidente da entidade, de criar uma subsidiária para vender as competições: a Fifa Forward. Ela seria criada com a venda de uma participação de 21% da empresa, doravante encarregada de gerir diretos comerciais, de transmissão e patrocínios de Copas do Mundo e outros torneios, para fundos de investimento americanos liderados por Joshua Kushner. Ele é irmão mais novo de Jared Kushner, que é genro de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

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A iniciativa gerou forte reação contrária – e foi retirada de cena com o referido pedido de desculpas de Infantino. Entretanto, apesar da intenção de Infantino de tocar o seu mandato adiante, como se nada tivesse acontecido e deixando claro que não renunciará, para seus opositores a coisa pode não ser bem assim. A Fifa passa a sofrer resistência velada de muitos países e confederações. A entidade rachou.

Fifa, de Gianni Infantino, pode sofrer boicote mesmo depois de arquivar plano de vender ações da Copa do Mundo / Fifa

A crise detonada pelo inesperado plano de venda ainda não foi digerida e cartolas europeus e da América do Norte e Central ainda não parecem dispostos a virar esta página.

Uefa joga duro com Infantino

Horas após a divulgação do comunicado da Fifa, dirigentes da Uefa, que reúne as 55 federações europeias, disseram ao jornalista Rob Harris, da emissora britânica Sky News, que a promessa de boicote às competições promovidas pela entidade segue adiante. “As associações da Uefa foram muito claras sobre as condições impostas e o anúncio de que algumas pessoas empregadas pelo presidente da Fifa (e cujas carreiras dependem de seu apoio) não concordam com Infantino. A Uefa não muda essa posição: é preciso garantir que tentativas de desfigurar o futebol dessa maneira nunca mais se repitam.”

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Enquanto esse braço de ferro continuar, a primeira competição que pode sentir o impacto de um boicote é a Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-20, prevista para começar no próximo dia 5 de setembro na Polônia. Não está descartada a retirada de países do torneio da garotada até como forma de recado para Infantino. Se isso acontecer, a Fifa começará a ruir antes mesmo das eleições marcadas para março do ano que vem.

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